10.12.16

sonho lucido

Sonho lúcido é uma expressão que não denomina bem essa categoria de sonho. Prefiro chamá-lo de sonho consciente. Hoje tive um. É a terceira vez nesta semana. Mesmo assim, eu gostaria de ter tido muito mais. Preciso descobrir as razões que lhe dão origem. Outro ponto a considerar é que talvez eu tenha tido outros nesse período, mas só me lembro de três. Embora não concorde totalmente com a expressão, continuarei me referindo a eles como sonhos lúcidos. Não posso contar-lhes o tema recorrente nos meus, mas particularmente já escrevo a respeito. É uma coisa extremamente agradável. Uma delícia!

Eu recomendo este livro: Sonhos Lúcidos - Stephen LaBerge

8.12.16

oxigenio

Ainda continuo pensando no Oxigênio como a partícula primordial da Vida. E quando eu digo que faço café com água benta, isso quer dizer, metaforicamente talvez, que assopro moléculas de espírito no espaço intratômico do Oxigênio hidrogenado. E é com essa mesma água benta que vou aguar os pezinhos de lírio. Só depois disso é que faço meu café. E dele não é a cafeína o que mais me interessa, mas sim a glicose e o Oxigênio grávido de Espírito que ele contém.

7.12.16

infieis

Temos que ser infiéis às nossas convicções — ou não mudaremos nunca!

6.12.16

sem lixo no cerebro

Quero que você agora se apaixone pela raiz de cada coisa. Quero que você abandone as verdades recebidas por herança ou por contágio, e passe a pensar com independência e gostosura. Se você chegou até aqui (não só neste blog, mas na vida!), é porque deve ter aí na cavidade do teu crânio uma parte do sistema nervoso central chamada encéfalo — que abrange o cérebro, o cerebelo, pedúnculos e mais coisas que eu nem sei. Essa máquina sensível requer cuidadosa manutenção. Precisa de carinho, de tempo, de alegria, de leitura, lógica, dedicação, entusiasmo — e muita liberdade.

Não permita, portanto, que joguem lixo e preconceitos no teu cérebro. Não permita que te enrolem os neurônios...

3.12.16

grandes inteligencias

Em seus processos de raciocínio, as grandes inteligências acabam considerando sempre duas ou mais visões de uma determinada questão — visões que podem ser diferentes, divergentes, contrastantes, complementares ou até mesmo antagônicas entre si — e então as analisam uma a uma ou todas em conjunto, de forma refinada, rigorosa e simultânea, sem preferir nenhuma delas — até que alguma conclusão racional satisfatória e logicamente defensável se apresente. Esse método geralmente conduz à verdade e ao sucesso.

Esquematicamente, podemos dizer que dessa relação entre tese e antítese nasce a síntese. Que, por sua vez, passa a ser uma nova tese. Então, viva Sócrates — em todos os sentidos!

2.12.16

controle emocional

Quando eu defendo o CONTROLE das emoções, algumas pessoas podem pensar que estou propondo a supressão das emoções. Não é disso que se trata. O que proponho é, num primeiro momento, racionalizar a expressão das emoções. Dominado esse processo (esse procedimento), passaríamos a controlar a própria forma com que as emoções, em si, ocorrem.

Ou seja, só bateríamos com violência uma porta, ou só daríamos um tiro na testa de alguém — SÓ DEPOIS de concluirmos, com base na lógica, que tal procedimento tornará o (nosso) mundo melhor e mais justo. Mas essa conclusão tem que ser racional. Deve ser produto de uma extensa cadeia de raciocínios, preferencialmente lógicos. Nada de ficar batendo porta à toa, xingando alguém à toa, ou dando tiros à toa...

Depois vou escrever algo sobre as emoções positivas. As amorosas.

1.12.16

raiva

Para a solução de um problema, a raiva é sempre irracional. Existem boas alternativas.

30.11.16

um ano depois

No primeiro dia, beijo-lhe os pés delicadinhos, chupo-lhe os dedinhos, um por um, sinto todos os perfumes, percorro-lhe os vãozinhos, os meandros, as curvas, minha língua vai coleando seus caminhos de amor. Êxtase total. Porém, depois de uma semana, ou duas, antes de fazer isso já lhe passo um pano quente para retirar areias finas. Passo cremes, faço massagens, repito operações. Ainda existe amor e entusiasmo nos caminhos que percorro — e muito! Mas, depois de um mês, ou dois, já me esforço para lembrar que ela tem pés. E se tento beijá-los, às vezes me distraio um pouco. Pois há pedregulhos nos vãos dos seus dedos, aquele perfume parece que se foi. Minha língua se transforma então em cascavel inexplicável que foge apavorada de um deserto já sem fim. E um ano depois, ou dois, tudo tem gosto de areia...
Acho que é o tempo.
E o vento.

29.11.16

seducere

O batom desmente os lábios, o perfume esconde o cheiro, o pavão produz um arco enorme de penas coloridas que só escondem-lhe o rabo feio. Sedução vem do latim, seducĕre. Tirar do bom caminho. Encantar. Enfeitiçar. Persuadir alguém a fazer o que em princípio suponha não querer. Levar alguém a ultrapassar os seus próprios limites e a saltar seus preconceitos.

Mas é também possível que o batom apenas realce os lábios lindos, o perfume acenda o cheiro bom, e o verdadeiro rabo do pavão é quando aberto. Como se pode notar, eu gosto muito de defender uma ideia e questioná-la ao mesmo tempo. O filósofo e o poeta dançam de mãos dadas no meu próprio coração. A verdade absoluta é uma coisa absurda, indefensável.

A vida me seduz.

28.11.16

suprema felicidade

Estou vivendo o período até hoje mais mais intenso, delicioso e criativo de toda a minha vida. Certamente, o mais gratificante, o mais completo, o mais perfeito. Estou inundado de carinho, gratidão e alegria. Abraçado a gostosuras incontáveis. Brilhando em tudo que faço. Tudo que eu toco vira música. Sou até tentado a supor que atingi a felicidade total. A Felicidade Suprema.

26.11.16

muro

Em certas questões polêmicas, penso que ficar inicialmente "em cima do muro" pode ser uma atitude inteligente recomendável, desde que tomada conscientemente. Porque só depois de uma análise racional e criteriosa de ambos os lados é que deveríamos optar por um deles.

nao penso que te possuo

Não penso que te possuo — nem quero te pertencer. Não importa se isso dure, nem é preciso que se acabe. Não sei se será sempre tão bom assim, e nem busco certezas eternas. Mas, como as delícias do agora me encantam — e bastam — até posso dizer que já estou começando a te amar. Por isso eu me entrego como um ponto de luz nos teus olhos de mar e um toque sutil na tua pele de Amor. Pois eu só te quero como um risco delicado, um perigo iminente, transitória gostosura — nada mais. Eu não te quero compromisso: eu te quero dança. Te quero paixão e alegria. Sem excesso de presença e sem sufoco da esperança. Desse modo, nem meu mundo termina aqui, nem você será prisioneira de mim. Afinal, somos livres um do outro — para sempre.

25.11.16

tres tipos

Eu quero que a partir de hoje você mantenha três tipos apenas de relacionamentos:

1.
Os que te dão prazer e alegria;
2.
Os que são necessários à tua sobrevivência;
3.
Aqueles que te trazem alguma sabedoria ou estimulam a criatividade.

E que todos os demais sejam considerados dispensáveis. Extremamente dispensáveis!

Afinal, se um determinado relacionamento não dá prazer nem alegria; não é necessário à nossa sobrevivência, e não traz sabedoria nem nos estimula a criatividade — mantê-lo pra quê?!

24.11.16

compartilhar

Você também se compartilha? Ou será que uma só pessoa te consome todo / toda?

23.11.16

minha Vo Vitalina

Hoje uma homenagem à minha inesquecível Vó Vitalina. E ao meu bisavô maluco Luiz Marques.

Mais uma coisa sobre minha vó Vitalina. No dia em que voltei da Primeira Comunhão, ela me abençoou duas vezes com o sinal da cruz, me abraçou, deu parabéns, assou um pedaço enorme de queijo branco na palha de milho, tomou um gole demoraaaaado de café preto — e me deu um conselho inesquecível:

Meu filho, quando a Tentação do Pecado passar por você — e for um pecado gostoso — você tem um único caminho a tomar: Pense em Deus, ponha a mão no coração, olhe para os lados...

...e peque!

19.11.16

40

QUARENTA COISAS PRA FAZER AINDA EM 2016:

01. Tome mais água, mais vinho e mais sol.
02. Escolha melhor os teus próximos amores. Prefira os livres.
03. Viva com mais Entusiasmo, com mais Energia, e com mais Coragem.
04. Arranje sempre algum tempinho pra falar com Deus.
05. Faça atividades que estimulem o teu cérebro.
06. Leia mais livros do que leu em 2015.
07. Fique em silêncio alguns minutos todo dia. Pense. Reflita. Medite.
08. Procure dormir tranquilamente, para acordar de bom humor.
09. Faça exercícios físicos. Caminhe pelo menos 30 minutos por dia.
10. Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
11. Não compare a tua vida com a de ninguém. Cada um tem sua história.
12. Seja um otimista racional.
13. Mantenha o controle absoluto dos teus estados de espírito.
14. Não se torne sério demais. Só os alegres vão pro Céu.
15. Só gaste tua preciosa energia com coisas gostosas.
16. Sonhe mais. Sem sonho não se cria nada.
17. Saiba que a inveja é um desesperado sinal de fracasso.
18. Jamais conclua apressadamente. Analise antes as premissas.
19. A vida é curta demais para ser tão pouca. Viva mais!
20. Faça as pazes com o teu passado para não estragar o teu presente.
21. Ninguém comanda a tua própria felicidade, a não ser você mesmo.
22. Já que a vida é uma escola — aproveite pra aprender.
23. Sorria mais. Encontre motivos para dar umas boas gargalhadas.
24. Não é preciso vencer todas as discussões. Aceite a discordância.
25. Entre mais em contato com teus amigos e com teus amores.
26. Nunca perca uma oportunidade de ajudar alguém.
27. Se não puder perdoar a todos, ao menos os compreenda.
28. Misture-se aos melhores.
29. Jogue fora tudo que não presta.
30. O que outros dizem a teu respeito nunca vai mudar a tua essência.
31. Não permita que um simples idiota comprometa o teu destino.
32. Faça sempre o que é correto, justo e verdadeiro.
33. Procure não trair jamais a tua própria natureza.
34. Deus cura todas as doenças — exceto o mau humor e a maldade.
35. Valorize a própria liberdade, acima de qualquer outra coisa.
36. Não importa como você esteja se sentindo: pratique uma boa ação.
37. O melhor ainda está por vir — em todos os sentidos.
38. Só o que está morto não muda.
39. Preencha o teu coração com alegria, esperança e gostosura.
40. Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.

TransCriação de Edson Marques sobre um texto da internet + partes do poema Mude.

18.11.16

17.11.16

15.11.16

conclusoes que adoramos

Não devemos ficar muito impressionados com uma ideia, só porque ela é nossa. Toda hipótese boa não passa de um pequeno passo no caminho do verdadeiro conhecimento. O que temos que perguntar, sempre, é por que uma determinada ideia nos agrada tanto. Temos obrigação intelectual de compará-la, imparcialmente, com as alternativas. É bom verificarmos se é possível encontrar razões que a invalidem. Aliás, essa verificação é fundamental. Porque, se não fizermos isso, outros certamente o farão — e nós poderemos ser inclusive ridicularizados. Nossa reputação intelectual pode ir para o ralo... O que nos deve interessar, portanto, antes de tudo, é a verdade, e não o nosso apego inabalável a certas conclusões que adoramos.

14.11.16

meu caixao

Meu caixão vai ter gavetas. Serei enterrado com todos os meus tesouros. Todos esses bilhetinhos de amor que recebo irão comigo. A toalhinha de crochê que a minha Mãe me deu, e a bonequinha de cetim que a Joyce um dia me fez. Essas lembrancinhas todas que os meus amores foram me dando desde a minha infância. Esses bibelôs maravilhosos que me foram deixando aqui na sala. As fotografias, os papeis de bala, os guardanapos com poesias, as pétalas de rosas que secaram entre páginas de livros... Essas coisinhas todas eu as levarei comigo. Serão 120 gavetinhas no meu caixão — uma para cada ano da minha existência.

13.11.16

vitorias elegantes

Aos meus adversários eu sempre lhes concedo alternativas. Que escolham eles mesmos o tipo de derrota que preferem. Porque, para mim, toda vitória tem que ser elegante.

12.11.16

tudo real

Tudo que escrevo é baseado em fatos reais. Mas eu suponho que as pessoas, quando leem os meus textos, e me veem falando só de amores e aventuras, meus encantos e alegrias, minhas flores e estrelas — e também alguns tropeços — talvez pensem que é tudo mera ficção. Talvez até digam: Ah: o Edson é um poeta criativo: ele inventa essas histórias... Mas, como já disse, não invento nada disso. Aliás, nem conto tudo. Porque, se eu contasse tudo que faço e vivo; se eu contasse todos os meus amores e saltos profundos, todas as minhas danças e loucuras — até eu mesmo duvidaria de mim...

11.11.16

minha proposta

Minha proposta é a Liberdade Absoluta. Eu venho é para semear razões, quebrar paradigmas, romper limites e derrubar padrões. Não trago nenhuma resposta pronta: só faço perguntas. Eu quero é mexer no coração da tua cabeça, por fora e por dentro. Fazer um cafuné maluco e delicioso nos teus neurônios enrolados. Passar um pente fino nos caracóis da tradição. Quero questionar tuas verdades mais queridas. Chacoalhar tuas convicções inabaláveis. Não vim, portanto, te propor sossego — nem venho te trazer a paz cansada... Eu te convido a ter coragem. Eu te convido a um salto profundo. Um salto escandalosamente profundo em direção à Vida.

10.11.16

logica do amor

Às vezes me perguntam por que as minhas relações de amor sempre dão certo. É muito simples: eu jamais me relaciono com pessoas ciumentas. O ciúme é a primeira fonte da desgraça. E eu não apenas vivo as minhas relações de amor: eu também as analiso. Eu me questiono sobre elas, a partir de dentro delas mesmas — entusiasmado com suas tramas e coivaras, com seus mistérios e caminhos. Com seus múltiplos encantos e extremas gostosuras. Eu me entusiasmo até mesmo com suas maravilhosas redundâncias, com suas doces contradições, e com todas as possibilidades abertas dos vários fins que se aproximam. E eu vejo o fim da relação apenas como um prenúncio de novidades, não como sinal de catástrofe. Só o que está morto não muda.

9.11.16

sonia maria santissima

Sônia tem treze anos, e é linda. Sensualíssima. Convidado por ela, vamos ao cinema. Sentamos lá na última fila. Quando as luzes se apagam, ela desliza suavemente sua mão esquerda por minha perna, e ficamos de mãos dadas, enternecidos. Meu coração dispara de alegria. Nem me lembro do filme, mas sei que tinha John Wayne. Quando a sala se ilumina em certas cenas, eu vejo que a outra mão dela está entre as duas do Júnior, um amigo meu. A princípio, estranhei um pouco, mas a parte de Sônia que me tocava continuava comigo... E assim, por muitos filmes e muitas e muitas noites de claro amor inocente, eu aprendi a compartilhar a musa até hoje inesquecível. Eu tinha então doze anos — e isso mudou minha vida para sempre. Aprendi que ninguém é dono de ninguém. E o que é mais importante: ninguém é propriedade de ninguém.

8.11.16

desapego 001

OLHAI OS LÍRIOS DO CÉU.

Eis uma verdade incontestável: todos os grandes mestres — quer religiosos ou não — desde os primórdios da História da Humanidade, nos dizem que o apego é a doença mais grave que pode acometer um ser humano. Olhai os lírios do campo e os pássaros do céu, dizia um deles... O apego está na origem da corrupção, da inveja, da cobiça, do roubo e do ciúme — entre outras maldades. É uma demonstração cabal de insegurança e falta de personalidade. Entretanto, se você tiver necessidade compulsiva de apegar-se a alguma coisa, apegue-se logo a um Camaro conversível, e não a uma canequinha de lata. Por que amar um crocodilo se você pode amar um Deus? Apegar-se a uma coisinha comum, é imperdoável. É como apegar-se a uma canequinha de lata, ou a um saquinho de tranqueiras... É ridículo! Abandone as bugigangas.

O foco desse meu texto tem duas vertentes básicas. A primeira é o horror ao apego. Mas deixei uma alternativa para quem não consegue livrar-se dele. Que possa então escolher algo mais interessante para apegar-se: algo melhor do que uma canequinha de lata. Algo que possa dar mais prazer. Suponho que uma Ferrari vermelha dê mais prazer do que uma canequinha de lata. Mas nem todos concordam com isso. Tem gente que nem dirige...

A segunda é a confusão entre apego e amor. Entre apego e gosto, preferências, escolhas, desejos. Eu gosto muito de pão e café: será que sou apegado a pão e café? Eu gosto de vinho e estrelas, eu amo a liberdade, eu amo a minha mãe, eu amo meus múltiplos amores: será que sou apegado a isso tudo? Claro que não. Porque sou zen. E porque sou zen e lógico, suponho que sou zen. Entretanto, tem gente que se apega a beijos, a flores, amores.

Tudo vem da cabeça. Até o coração vem da cabeça. Inclusive os olhos. E os meus olhos se arregalam, mesmo, diante de uma Ferrari vermelha. Diante de uma obra de Niemeyer, de um poema de Neruda, de um sorriso de criança. Meus olhos se arregalam diante de um belo corpo de mulher. Meus olhos vivem arregalados... E se isso for considerado uma demonstração de apego, então contradigo a minha própria zenidade.

Acho que esse assunto ainda vai longe.

7.11.16

hoje

Nessa minha busca, nessa minha incansável e eterna busca de caminhos, eu acabo às vezes me afastando de você. E esse espaço, essa distância — esse vazio — é como uma navalha cortando a emoção... A emoção não deve ser cortada, eu sei. Mas, que se há de fazer? Eu quero apenas abraçar a metade do infinito.

Acontece que essa busca incansável de caminhos é uma das mais nobres e louváveis tentativas de aprimoramento pessoal. Significa refinar, cada vez mais, meu sentimento de amor-próprio. O contrário disso chama-se acomodação. Ou, até mesmo, desleixo. Talvez covardia...

6.11.16

busca

Toda busca acaba sempre de duas formas: ou com o encontro do objeto desejado, ou com a simples desistência da procura. E o que é melhor: se a desistência for racional, ela pode ser até mesmo mais prazerosa que o próprio encontro.

5.11.16

fim

Há pelo menos duas formas interessantes de nos encontrarmos com o Fim. Uma, é indo-nos ao encontro Dele. Outra, é deixar que Ele nos procure. Claro que eu prefiro a segunda hipótese. Porque assim, suponho, nossa Existência será mais longa — e muito mais Gostosa.

3.11.16

optei por ser feliz

Eu optei por ser feliz aos doze anos de idade. Já lia muito, inclusive Neruda e Karl Marx, mas não foram (só) o marxismo e a poesia que iluminaram meus caminhos. Eu olhei para os lados, e vi a vida sem graça que as pessoas do meu meio viviam. Aquilo me chocava. Eram pessoas infelizes, que só reproduziam relações antigas, e só seguiam as regras. Acomodadas e passionais. Então, analisei as circunstâncias, vislumbrei um futuro — e tomei a decisão. Conscientemente. Elaborei um Plano de Salvação. E o segui à risca. Com muita disciplina e ternura, com muito amor e alegria, com muita leitura, estudos profundos, com incansável determinação.

Deu certo.

1.11.16

meu verbo vibra em ti

Abraço sempre a liberdade das minhas concepções estéticas — e escrevo. Na verdade, eu rabisco palavras de amor em defesa da Vida. Não para que você concorde comigo, mas para transmitir emoções — racionalmente. Escrevo para te provocar — amorosamente. Para que você pense um pouco mais sobre essa vida que hoje leva. Para que você veja o mundo de outra forma. Escrevo principalmente para excitar teu intelecto e abrir teu coração ainda mais. Por isso eu vibro tanto a cada vez que o meu verbo livre entra no teu peito e dança.

31.10.16

promover nem sempre

Um grande vendedor nem sempre se torna um grande gerente de vendas. Um bom pedreiro pode não vir a ser um bom mestre de obras. Certas pessoas não devem ser promovidas. Corremos o risco de estragá-las. Cada um no seu lugar mais apropriado. Isto vale para recursos humanos, e talvez valha até mesmo para relações de amor: As amigas quase sempre são melhores amigas do que namoradas... E a musa não pode jamais se tornar uma esposa.

Fico pensando... Eu já promovi certas pessoas brilhantes que depois se apagaram — tanto na empresa quanto nas relações de amor. Melhor seria se eu as tivesse mantido nas posições originais em que já brilhavam.

30.10.16

vitalina e os sinais

Minha Vó Vitalina olhava para a flor de laranjeira ou para o arame farpado da cerca e já sabia ver se vinha chuva ou não. Ela sabia LER os sinais. Até no circo da lua ela sabia ver se a chuva vinha. Quando certa vez lhe sugeriram que se casasse de novo ela disse não. Quando apareceu um pastor pedindo que fôssemos à igreja domingo ela não foi. Ela sabia SER os sinais. No dia em que vieram lhe dizer que carne de porco fazia mal à saúde ela me deu um pratinho de torresmo com virado de feijão. Ela sabia TER os sinais. Ela nunca perdeu a calma. Ela gostava de manteiga Aviação. Ela gostava de tomar café olhando as nuvens. Ela sabia VER os sinais... E quando eu lhe contei que queria ser poeta, ela disse sim. Ela gostava de LER os sinais.

29.10.16

otimista racional

A produção de bons resultados não depende da esperança, mas sim de planejamento. Acreditar num sistema racional que se monta visando uma determinada conquista vai além da crença passiva de que as coisas aconteçam por acaso. Sou otimista porque creio na qualidade do meu pensamento. Creio na capacidade que tenho de analisar circunstâncias e, a partir delas, concluir com ciência e lógica. Ciência, lógica e amor. Ciência, lógica, amor e liberdade. Meu histórico é glorioso nesse aspecto. Claro que às vezes mergulho, mas sempre volto aqui, à tona. É onde enxugo as minhas asas para voar, de novo, ao Pico. Todo salto profundo é pra cima.

28.10.16

minha maior conquista

O domínio absoluto sobre os meus estados de espírito é a minha maior conquista como ser humano. Há mais de vinte anos que não perco a calma. Há mais de vinte anos que não produzo adrenalina desnecessariamente. Não brigo, não xingo, não bato. Não sinto raiva nem ódio, nem ciúmes, nem rancor. Não me irrito por absolutamente nada. Nunca tive mau humor. Não tenho sequer aqueles nozinhos horrorosos na garganta. Não me descontrolo jamais! Não há motivos racionais que possam me abalar. Não discuto, a não ser filosofia. Sou amorosamente zen...
Como consigo tal façanha? — você pode perguntar.
É muito simples: Dou valor secundário às coisas secundárias. E considero secundário tudo aquilo que não é fundamental... Tudo aquilo que não tem poder de causar mudanças significativas no rumo da minha vida. Considero secundário tudo aquilo que não me traz felicidade.

É muito simples — e é uma delícia!
Experimente.

27.10.16

corcao do coracao

Todo coração livre tem um outro coração dentro de si. E como o coração do coração livre também é livre, acaba nascendo dentro deste um novo coraçãozinho, igualmente livre. E assim por diante — ou até que apareça um ciumento desgraçado que acabe com a festa toda...

26.10.16

pico 2

O que proponho pode parecer um absurdo, mas é assim que penso, realmente. A lembrança de um grande Amor é infinitamente melhor que o risco de vê-lo morto em meio ao tédio.
Portanto, separem-se no pico.

Amor imortal é aquele que deixamos no Pico.

Essa questão do Pico do Amor, e da melhor forma de deixá-lo — ou não — é bastante complexa. Mas acho que uma boa solução (racional) é aquela dos alpinistas: Chegando lá no alto, no pico do K2, fincam uma bandeirinha, curtem seus momentos de glória, entram em transe... e descem para abrir possibilidades de uma nova conquista.
Depois, vão ao Everest, etc.
Pode até ser que um dia voltem ao K2, quem sabe.
Mas, se ficarem lá para o resto da Vida — perde a graça...
Perde completamente a graça!
Eu acho.
Mas cada um é cada outro...

25.10.16

adoro criancas

Adoro crianças! Tenho verdadeira paixão por elas, e parece que tal sentimento é recíproco. Trato-as com profundo respeito, e sempre ensino-lhes coisas novas. Até chego a dar-lhes algumas dicas sobre como enganar os papais muito autoritários e as mamães superprotetoras. Minha relação com as crianças — todas as crianças que não sejam birrentas — é fundada na compreensão, no ensino gostoso da lógica, no deslinde dos mistérios, na cumplicidade fraternal, na alegria de buscar coisas novas e na quebra de alguns tabus. E na tabuada. E no chute às normas castradoras. Todas as crianças eu as trato como grandes artistas, gênios indomáveis, pequeninos deuses. Por isso elas geralmente também me adoram.

24.10.16

vida

Hoje to com vontade de comer o doce de figo que minha Mãe fazia — com amor e açúcar cristal. O figo era colhido no quintal da nossa casa, num pé, enorme, que ficava perto da mangueira... Claro que o pé de figo já morreu, mas minha Mãe ainda está lá, com toda sua deslumbrante ciência e cuidadosa paixão pelas coisas da vida. (Semana que vem vou lá, deitar no colo dela...)

23.10.16

eu

Eu não abro concessões àqueles que possam querer me prender. Não jogo minha própria vida em troco de salário, prestígio, poder, posses, coisas, tranqueiras. Não permito que me roubem esse único presente que hoje tenho. Não aceito promessas de um futuro que nem sei se vai haver... Não assumo compromissos que me sufoquem, ou que me levem à exaustão para cumpri-los. E também não crio dependências que me prendam, em hipótese alguma. Não tenho chefe, não tenho patroa, não tenho filhos, não tenho noivas, não tenho muitas namoradas e nem faço juras de amor eterno. Não tenho planos mirabolantes que possam sugar minha existência gostosa de agora. Faço só o que me dá prazer — e apenas pelo prazer. Sem maldade. Sem dor, sem pressa, sem cansaço, sem inveja, sem ciúmes, sem mágoas, sem esforço desumano. Sem explorar quem quer que seja. Quem me conhece sabe que não é um mero jogo de palavras: eu sou assim. Sou o dono do meu tempo. E isto — por enquanto — me basta: