22.8.17

21.8.17

natureza da paixao

Paixões que se dizem eternas são mentirosas. Enganam a vítima. São apenas pedras frias que trazem frustração e tristeza, e nas quais tropeçamos. Acabam se tornando insuportáveis. Ao contrário, as paixões verdadeiras, as deliciosas — as passageiras! — só nos dão prazer e alegria. Mas tem gente que pretende transformar as passageiras em duradouras. Apaixona-se em novembro, e já quer fazer planos para o Natal... É a consagração da insegurança. O abandono do Princípio da Incerteza. O medo do risco e da perda. Ora, se nossa primeira paixão já fosse eterna, teríamos uma só — pelo resto da vida... Já imaginou a chatice?

A natureza da Paixão é ser fugaz. Esticá-la no tempo é torná-la insossa e rarefeita.

Eu gosto de dizer que as paixões devem ter o brilho de um relâmpago — e a mesma duração. Relâmpagos não ficam acesos para sempre. Você vive um, e em seguida risca outro! Mas, não se preocupe: ninguém é obrigado a amar o risco e ser brilhante todo dia.

20.8.17

anadores

Só me procure se você não precisar de mim... Se você estiver doente, carente, ou à beira da morte, nem venha me ler. Esqueça-me, carinhosamente. Nesta casa de tolerância poética não tenho remédios. Não tenho aspirina, novalgina, dipirona ou anadores. Aqui só tenho estrelas, palavras e flores, abraços, tesão e loucura; vinho, dança e amores!



O texto acima — Só me procure se você não precisar de mim — pode suscitar críticas. Como se eu, maldosamente, repelisse os que sofrem. Nada disso! Eu apenas questiono se a doença é real. E também me inspiro em Roberto Freire e no seu belíssimo poema de amor, aquele que termina mais ou menos assim: "Porque te amo, tu não precisas de mim. Porque tu me amas, eu não preciso de ti. No amor, jamais nos deixamos completar. Somos, um para o outro, deliciosamente desnecessários."


E você sabe como é bom sermos deliciosamente desnecessários, não é mesmo?

Portanto, se você gosta de estrelas, palavras e flores, abraços, tesão e loucura; vinho, dança e amores — venha! Que eu cairei nos teus braços...

19.8.17

margaritas

Ontem eu e ela tomamos entusiasmadas margaritas. Sem pressa e sem culpa. Mais tarde voltei para sonhar nos braços abertos de Denise e dançar ouvindo Can´t take my eyes off you. E depois, no escuro do meu quarto, acordei pensando:

Eu bebo não para perder a razão, mas para vencê-la. Jamais serei dependente: na bebida, não é o álcool que me atrai. Eu tomo o vinho porque antes o consagro. E nele me agrada mais a cor e o sabor — além de me lembrar Jesus e seus milagres. Aliás, é o próprio Baco quem todo dia me abre as garrafas de Baron D´Arignac.

Também na cerveja, não é o álcool que me encanta: é o lúpulo dourado e o reflexo do sol no copo transparente. Tomo-a porque envolve-me a sede, hidrata-me o corpo, fornece-me assunto, refresca-me a alma. Também a consagro antes do primeiro gole, e o bar vira um barco — e o barco vira um altar. E bebo-a, delicadamente, porque a espuma me lembra Afrodite lambendo-me os lábios!

Como se vê, eu não bebo para perder a razão: eu bebo para encontrá-la.

17.8.17

sorte ou talento

Para sobreviver precisamos apenas de sorte. Para triunfar — é preciso talento.

16.8.17

girassol envelhecendo


Não espere a próxima primavera
para sentir o perfume de todas as flores.




Amanhã pode ser tarde demais.

13.8.17

dia dos pais

Ele era o símbolo da autoridade, e eu — da rebeldia. Nenhum de nós dois gostava de repartir a liderança. Eu não nasci pra ser segundo, e ele abominava a ideia de não ser o primeiro. Então, quando fiz dezessete nos separamos: eu vim estudar filosofia, e ele continuou um ótimo comerciante. Foi só então que começamos realmente a conversar sobre a Vida. Depois, com o tempo, nos tornamos amigos. Hoje, somos amantes.

Como não tenho filhos, escrevi um breve texto sobre meu Pai — homenagem ao seu dia. Leia-o AQUI.

11.8.17

felicidade

Para os filósofos cínicos, a felicidade não é algo passageiro: uma vez alcançada, nunca mais a perdemos. A princípio, parece um absurdo, mas é uma teoria bastante sustentável. Digo isso, e concordo plenamente, porque aconteceu comigo! Sou a prova viva de que isso é possível. Meu conceito de felicidade — já por mim alcançada — é ser bem-aventurado. É ter um corpo saudável, completo domínio dos estados de espírito, e liberdade total. Muita alegria, bom humor inabalável e gostosura transbordante, além de amores infinitos. Ausência de pressa, de ciúmes e de ódio, ausência de medo, inveja e vergonha. E completa ausência de apego. Basicamente isso.

Estou escrevendo algo mais a respeito, que vou publicar no meu livro Sermão da Cordilheira.

8.8.17

o intocavel

A mim não me basta tocar o coração do que eu vejo, eu quero é tocar o coração do invisível. A mim não me basta buscar o que me cabe, eu quero é desejar o impossível. Tocar o intocável, o intangível, o centro do que se move, a alma do teu espírito, o coração do coração.

7.8.17

coivaras

Eu tinha seis anos e nas férias visitava uma casinha de sapé lá no sul do Paraná. Um dos nossos empregados, o Nhô Benedito, de dia me ensinava a roçar o mato e a plantar feijão, e de noite me contava histórias e me mostrava como afiar a foice. A Vida é uma floresta, ele dizia. Por isso, afiar a foice era uma ciência... Era um velho negro sábio, criador de metáforas belíssimas. Certa tarde, lá no Morro da Melancia, logo após uma queimada, ele, preocupado comigo, gritou: "Não se embrenhe nas coivaras, menino!". Pois, é. Foi pensando no Nhô Dito e nas suas expressões que escrevi o post abaixo. Às vezes, na vida, eu me esqueço completamente do que disse ele, não afio bem as minhas foices, e me embrenho nas coivaras...

6.8.17

5.8.17

ilha porchat

Hoje à tarde, fotografando a Ilha Porchat, eu me lembrei de que lá mora Andressa.
Quando você der o click na foto, é a primeira da esquerda.

3.8.17

sorte

Eu tenho uma cachorrinha linda chamada Sorte. Ela me segue para onde quer que eu vá.

2.8.17

cerebro sorrindo

Acontece que meu cérebro às vezes ri das escolhas que meus olhos fazem. Mas ambos logo se pacificam e eu prossigo cavalgando propósitos — de ponta-cabeça — como se a Vida fosse uma potranquinha, puro-sangue, indomável, cor de vinho. Faço analogias em silêncio, invento coisas que ainda vão existir, crio conceitos, e me questiono sobre tudo e todas as coisas. Depois, destruo as minhas convicções como se estivesse destruindo as tuas.

31.7.17

quem dorme

Você escolhe quem dorme ao teu lado, ou essa página o teu cardápio não tem?

30.7.17

apoio dos normais

Eu não busco aprovação alheia — nem quero aplausos fáceis. Sou inteiro no que faço e não me corto. O apoio dos normais não me interessa. Eu quero apenas provocar intelectualmente as pessoas criativas, como suponho você é. No fundo, eu quero questionar todas as "verdades", e esmagar todas as convicções... Inclusive as tuas, mas principalmente as minhas! Para que possamos trocar experiências fascinantes — e talvez criar alguma coisa verdadeiramente nova.

29.7.17

desaforo

Eu não considero desaforo aquilo que um idiota diz a meu respeito.



"Eu não levo desaforos pra casa". Quem repete essa frase deve ser só um insensato. Um papagaio de aluguel, potencialmente estressado e sem assunto. Em vez de citar Nietzsche ou Machado de Assis, profere uma insolência. Quem costuma reafirmar o seu caráter pessoal pronunciando tal besteira, já se mostra petulante, atrevido, inconsequente. Generaliza demais, ofende a Lógica e maltrata a Razão. Afinal, o que é um desaforo? Um insulto — podem dizer. Mas, um insulto praticado por quem, contra quem, sobre qual tema, e com qual objetivo? Aliás, para merecer tamanha reação apriorística, deve ser um impropério astronômico... Pois, se assim não for, por que deveríamos gastar tempo e energia com tal coisinha? Portanto, eu te pergunto: qual o teu conceito de desaforo? Qual a importância que tem para tua vida o fato de existir um desgraçado qualquer que te xinga ou "desrespeita"? Quanta verdade, quanta lógica pode haver numa sentença pronunciada por boca irracional? Quanta relevância tem, para você, uma determinada coisa, ao ponto de conceder a ela o poder de causar alterações no teu metabolismo, desviando muitas funções realmente vitais, só para produzir uma carga enorme de hormônios e soluços? Meu conselho: leve alguns "desaforos" pra casa... Ou não mais considere desaforo aquilo que um ignorante qualquer diz a teu respeito.

28.7.17

cadastro

Quando vou fazer um cadastro para financiar uma carroça, e me perguntam qual é meu estado civil, eu sempre respondo que é o Original. Este é um dos meus maiores tesouros: meu estado civil. Mas tem gente que não pensa assim. Tem gente que troca o seu estado civil original — maravilhoso, belíssimo — por um adjetivo esquisito, como, por exemplo: casado, separado, desquitado, divorciado, viúvo — ou qualquer outra besteira do gênero...

26.7.17

ataque cardiaco

Meu pai morreu de ataque cardíaco. Meu avô, bisavô, tataravô, o pai do meu tataravô e o pai do pai dele — todos os meus antepassados morreram de ataque cardíaco. Meus tios e primos, da primeira, segunda e terceira geração — também. Meus irmãos, dois já se foram, e os outros — na marca do pênalti. Até cunhado meu anda morrendo de ataque cardíaco, ultimamente.
Tive, portanto, que romper com a tradição.
Mais uma vez!

Claro que "ataque cardíaco" é uma metáfora. Entretanto, se substituirmos essa expressão por outra, o texto pode ficar mais compreensível. Por exemplo, saudade do Orgasmo. Ou seja, toda essa gente anda morrendo de saudade do Orgasmo...

25.7.17

lucid dreams

Lucid dreams.


Aqui vou publicar logo mais minhas experiências pessoais com sonhos lúcidos. E também teorizar um pouco a respeito. Além de citar outras matérias importantes sobre o tema.

Antes de qualquer coisa, eu recomendo este livro: Sonhos Lúcidos - Stephen LaBerge




Sonho Lúcido é definido como sonhar enquanto você sabe que está sonhando. O termo foi inventado por Frederik Van Eeden usando a palavra "lúcido" no sentido de claridade mental. A Lucidez usualmente começa no meio de sonhos quando o sonhador compreende que as experiências que estão ocorrendo não existem na realidade física, mas são fruto da criação de um sonho.

Basicamente seu corpo está 'adormecido' e sua mente está 'acordada'. Sonhar é uma capacidade natural - nós todos sonhamos todas as noites. Você pode ter escutado algumas pessoas que dizem que não sonham - elas sonham sim - elas somente não recordam dos sonhos quando elas acordam. Se você tem tempo, esforço e paciência, você pode aprender a recordar seus sonhos.

E uma vez que você pode fazer isto, sonhos lúcidos são um caminho excelente para explorar o mundo dos sonhos.Enquanto a definição básica de Sonho Lúcido está meramente na capacidade de compreender que se está sonhando, esta definição pode ser dividida em dois tipos de Sonhos Lúcidos. Esses dois tipos são "alto nível de lucidez" e "baixo nível de lucidez."

Um sonhador lúcido que está sonhando com um alto nível de lucidez sabe que toda existência experimentada é fruto da criação da sua mente. Este sonhador está atento que ele ou ela está realmente na cama, adormecido e que não pode sofrer nenhum prejuízo físico como um resultado do sonho.

Sonhando no baixo nível de lucidez, o sonhador não está completamente atento que seu ambiente é unicamente uma criação da sua mente. Isto permite ao sonhador fazer atividades tal como voar, ou fazer o que é mais interessante para ele no momento. Entretanto, o sonhador vê ameaças físicas e outros caracteres do sonho como sendo completamente reais. Enquanto sonha neste baixo nível, o sonhador é usualmente desprevenido que o seu corpo físico está realmente adormecido e em cama.

Você deve estar se perguntando. "Para qual propósito servem os Sonhos Lúcidos? Os Sonhos Lúcidos podem ajudar as pessoas a achar seu caminho em suas vidas. O livro "Exploring..." contém muitos exemplos de maneiras através das quais algumas pessoas têm usado os sonhos lúcidos para se prepararem para algum aspecto de suas atividades cotidianas. Algumas das aplicações relatadas: campo de provas (tentar novos comportamentos, ou praticá-los, e afiar habilidades atléticas), resolução criativa de problemas, inspiração artística, superação de problemas de ordem sexual e social, aceitação da perda de alguém querido, e restabelecimento da saúde física.

Se a possibilidade de acelerar a saúde física, sugerida pelo que contam os sonhadores lúcidos, for confirmada pelas pesquisas, isto será uma razão tremendamente importante para se desenvolver habilidades com o sonhar lúcido.

Fonte: http://www.misteriosantigos.com/sonhos.htm


23.7.17

epicurista

Cada vez mais epicurista. Na cidadezinha onde estou desde ontem não tem onde comprar palmilhas pra minha bota. Então fiz algumas com jornal e embalagens de leite. Ficaram ótimas!


22.7.17

previsoes de 1995

Texto que está na primeira edição do meu livro Solidão a Mil, 1998, página 352.

Em 1995, como analista de sistemas do Grupo Itel, fiz uma palestra sobre a viabilidade de se utilizar o mesmo atual cartão eletrônico bancário como cartão único, universal, conectado à rede que eu chamo de U-Net (sucessora da internet). Desde que melhorado e com um chip controlador poderoso, nele estariam todos os nossos dados básicos: Identidade, cadastro médico, CPFG, carteira de habilitação, registros profissionais, currículo escolar, efetivos controles de aposentadoria, histórico amoroso, saldos bancários, preferências, livros lidos, contas pagas e a pagar, pendências judiciais, viagens, agendas, senhas de acesso. Aproveitaremos a atual estrutura de informática dos três grandes bancos que restaram. Uma Digital Station (os antigos PC, MC, Notebooks) poderá ler esse cartão via rádio (e mais tarde raios gama) à distância.

Servirá também como cartão telefônico, substituindo o antigo celular. Suas coisas pessoais, sua casa e seu carro, não poderão ser acessados sem a inserção autorizada do respectivo cartão, mediante impressão digital. Por exemplo, será abolido, por desnecessário, esse costume medieval de um guarda rodoviário interromper nossa viagem para pedir documentos. Até o excesso de velocidade ficará nele registrado, sendo a respectiva multa debitada imediatamente da sua conta bancária. Tudo será online.


Isto foi em fevereiro de 1995. Um dia chegaremos onde eu então previa. Liberdata Biopersona era o nome do Projeto.

21.7.17

solidao

Para que seja uma delícia — a Solidão tem que ser alimentada com Amor e Alegria.

19.7.17

coloniazinha

Ainda existe aquela colônia de vermezinhos graciosos no fundo de um lodaçal. Todos aqueles que sobem à superfície nunca mais voltam, pois, assim que chegam aqui, conhecem coisas novas, veem a Luz, transformam-se em aves definitivas — e voam livres para o azul do céu. Nunca mais voltam para o fundo. Já não mais prometem que voltarão. Certas promessas nunca serão cumpridas. Certas promessas nem devem ser feitas.

18.7.17

mude

Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.

17.7.17

olhe para os lados

Agora mesmo, onde você estiver, olhe para os lados. Ajuste a consciência, apure a sensibilidade, abra seu coração, respire fundo, olhe para os lados outra vez, e responda-me, sinceramente: — As pessoas com as quais você hoje convive (em casa, na escola, no trabalho ou na internet) são amorosas, compreensivas, inteligentes, excitantes, audaciosas, livres, saudáveis, brilhantes, honestas, sensíveis, delicadas, independentes, e cheias de entusiasmo pela vida?
São?!
Porque, se assim não forem, responda-me:
— O que é que você continua fazendo aí?

16.7.17

cantinho enorme

Meu coração tem um cantinho onde guardo os amores todos que eu já cantei. E um outro canto (enorme) onde aguardo os mil amores que ainda cantarei.

15.7.17

Dia do Homem Livre

Em 15 de Julho comemora-se no Brasil o Dia Internacional do Homem. Uma curiosidade histórica: tal dia foi instituído em julho de 1992, pela escritora Mariazinha Congíglio, pelo maestro Mário Albanese, pelo jornalista João Marcos Ciccarelli, e por mim. E o dia escolhido (15) foi uma brincadeira minha, homenagem indireta à Mãe de um certo aniversariante...

E assim, num jantar da Ordem Nacional dos Escritores, no Terraço Itália, no ano de 1992, foi criado o Dia Internacional do Homem, com notícia publicada nos jornais da época. Chegamos até a escrever um "Estatuto", que foi redigido por Roberto Vidigal. Porém, como sou co-autor da ideia, estou sugerindo que se mude o nome para: Dia do Homem Livre.

Afinal, se não for livre — vai comemorar o quê?

14.7.17

eterno que morre

Quantas vezes você já pensou que seria eterno um certo amor — que depois morreu?

13.7.17

jesus louco

A reflexão filosófica sobre as Religiões me encanta. Cada uma delas tem o seu mistério profundo, seu corpo doutrinário, seus dogmas e deuses. E eu acho isso muito belo — desde que não seja para sugar dinheiro dos pobres... A propósito, e porque sou marxista, eu me sinto bastante à vontade para dizer que Jesus é um dos meus heróis preferidos. Como Deus, ele é igual a qualquer outro, mas, como Mestre, é único! Seu Sermão da Montanha é uma leitura indispensável. Com Ele, olhamos os lírios do campo e os pássaros no céu de modo novo. Com Ele, consagramos os vinhos todos que tomamos neste maravilhoso Reino de Deus. E sua morte nada mais é que a metáfora mais perfeita da transformação pessoal. Da mudança de Vida.
Portanto, viva Jesus!

E se hoje ele estivesse por aqui, eu iria convidá-lo para almoçar comigo...

12.7.17

musa deusa

Não basta transformar a musa em deusa. É preciso que você também se deusifique.

11.7.17

ignorancia

Hoje eu descobri que minha ignorância é enciclopédica. E você, já descobriu se a tua também é?

10.7.17

aprendendo a voar

Quando saltamos em buracos rasos, logo batemos no fundo. Mas, quando saltamos em abismos enormes, antes que o choque aconteça, acabamos aprendendo a voar.

9.7.17

casar borboletas

Quando éramos pequenos, em Varanasi, eu e Paritosh adorávamos casar borboletas. Com dois sanduichinhos de mortadela e pão sovado no bolso, nós íamos ao campo e ficávamos horas e horas correndo atrás delas e juntado-as aos pares — mentalmente. Aquela azul marinho com esta quase branca; aquela verde ali que enorme! com esta amarelinha; a outra violeta com essa toda preta; aquela vermelho-rubi com esta cor de rosa...

Então passávamos a imaginar os possíveis resultados: nasciam borboletas cor de anil, azul-celeste, outra cor de vinho, além de prata, ouro, púrpura... Até que um certo dia chegamos a criar uma com as cores dos olhos de Buda!

E assim nós ficávamos brincando de casar borboletas...

Mas, confesso agora, algumas eram tão lindas, mas tão lindas, que nós não conseguíamos casá-las com ninguém. E por isso nós as deixávamos deliciosamente solteiras!

8.7.17

atomo

Entender o átomo é mais difícil do que entender a Galáxia. Faz uns dois ou três anos que ando estudando Física Quântica. Mas o átomo parece muito grande para entrar na minha cabeça... O átomo talvez contenha Deus naquele espaço enorme que existe entre o núcleo e os elétrons. Eu quero descobrir onde fica o espírito santo do átomo. Passo noites inteiras lendo, pesquisando e rabiscando. Descobri que Deus, antes de criar o mundo, criou a Tabela Periódica. E acabo me lembrando do meu professor de Química lá no colegial, Pedro Pinto — que também era poeta. Mas vejo que minha ignorância nas coisas do átomo ainda é enorme. Talvez maior até que a própria Via Láctea... Como eu disse nessa folha cuja imagem publico ao lado (click nela), se eu não entender nem mesmo o átomo, vou entender o quê?

7.7.17

ave do paraiso

A ave do paraíso em que eu me transformei tem duas asas coloridas e saudáveis. A primeira delas é o amor desgovernado; a segunda é a liberdade absoluta. E se eu não bater ambas as duas — simultaneamente — eu caio.

5.7.17

lapidar cascalho

Não perca tempo lapidando pedregulho. Só merece ser lapidada aquela pedra que já é preciosa. Um cascalho pode até vir a se transformar em diamante, um dia, talvez, quem sabe — mas vai demorar um milhão de anos... Lapidar cascalho é perda de tempo.

4.7.17

jesus e suas metaforas

Tudo era metáfora, tudo era parábola em Jesus. Água em vinho, multiplicação de peixes, pobres de espírito, face esquerda, pão repartido, reino dos céus, ressurreição de Lázaro, mãe virgem, lírios do campo, Sermão da Montanha, Madalena, Marta, Pedro — tudo. Dizem até que a própria vida dele foi uma grande encenação. Não importa: Jesus é um dos meus heróis, um mestre absoluto. Compreendo agora suas metáforas geniais e deliciosas. Dia desses vou convidá-Lo para um vinho aqui comigo. Cabernet Sauvignon, produzido com água...

3.7.17