16.1.18

40

QUARENTA COISAS PRA FAZER EM 2018:

01. Tome mais água, mais vinho e mais sol.
02. Escolha melhor os teus próximos amores. Prefira os livres.
03. Viva com mais Entusiasmo, com mais Energia, e com mais Coragem.
04. Arranje sempre algum tempinho pra falar com Deus.
05. Faça atividades que estimulem o teu cérebro.
06. Leia mais livros do que leu em 2017.
07. Fique em silêncio alguns minutos todo dia. Pense. Reflita. Medite.
08. Procure dormir tranquilamente, para acordar de bom humor.
09. Faça exercícios físicos. Caminhe pelo menos 30 minutos por dia.
10. Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
11. Não compare a tua vida com a de ninguém. Cada um tem sua história.
12. Seja um otimista racional.
13. Mantenha o controle absoluto dos teus estados de espírito.
14. Não se torne sério demais. Só os alegres vão pro Céu.
15. Só gaste tua preciosa energia com coisas gostosas.
16. Sonhe mais. Sem sonho não se cria nada.
17. Saiba que a inveja é um desesperado sinal de fracasso.
18. Jamais conclua apressadamente. Analise antes as premissas.
19. A vida é curta demais para ser tão pouca. Viva mais!
20. Faça as pazes com o teu passado para não estragar o teu presente.
21. Ninguém comanda a tua própria felicidade, a não ser você mesmo.
22. Já que a vida é uma escola — aproveite pra aprender.
23. Sorria mais. Encontre motivos para dar umas boas gargalhadas.
24. Não é preciso vencer todas as discussões. Aceite a discordância.
25. Entre mais em contato com teus amigos e com teus amores.
26. Nunca perca uma oportunidade de ajudar alguém.
27. Se não puder perdoar a todos, ao menos os compreenda.
28. Misture-se aos melhores.
29. Jogue fora tudo que não presta.
30. O que outros dizem a teu respeito nunca vai mudar a tua essência.
31. Não permita que um simples idiota comprometa o teu destino.
32. Faça sempre o que é correto, justo e verdadeiro.
33. Procure não trair jamais a tua própria natureza.
34. Deus cura todas as doenças — exceto o mau humor e a maldade.
35. Valorize a própria liberdade, acima de qualquer outra coisa.
36. Não importa como você esteja se sentindo: pratique uma boa ação.
37. O melhor ainda está por vir — em todos os sentidos.
38. Só o que está morto não muda.
39. Preencha o teu coração com alegria, esperança e gostosura.
40. Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.

TransCriação de Edson Marques sobre um texto da internet + partes do poema Mude.

15.1.18

amar

Amar é permitir sempre. Amar é deixar que o outro vá — ou que fique, se assim o desejar. Amar é ter um respeito absoluto pela própria liberdade — e pela liberdade do OUTRO. Amar é compreender sempre. E isso não significa apenas entendimento racional. Vai além, muito além...
Amar é reconhecer afetuosamente o direito que o outro tem de fazer suas escolhas.
Mesmo que essas escolhas eventualmente me excluam.

9.1.18

labios indecisos



Minha alma hoje foi tocada, foi marcada pela imagem da tua boca. Tua boca — breve, doce, leve, quente...

É disso, menina, é disso mesmo que o meu coração precisa: é de uma boca que suporte — indecisa — uma paixão não revelada, e os meus olhos de vertigem!

8.1.18

verdades

Não existem verdades definitivas. O que existem são interpretações (bem ou mal) elaboradas sobre determinados aspectos da realidade — cientificamente comprováveis ou não — mas necessariamente condicionadas pelo ponto de vista, pelos interesses, visão do mundo e capacidade intelectual de quem as propõe.

4.1.18

palavras de amor

Exclusividade.

Os poemas que te dou
são de amor, naturalmente,
e feitos por mim quando me espanto
no meu canto encantador.

Certos poemas eu escrevo com os olhos
nos teus olhos, meu amor;
outros, muito longe de você.
A maioria,
com meu coração ainda pendente,
pulsando no peito de um amor
que às vezes encontrei
nos caminhos desta vida,
por acaso e de repente.

Algumas das poesias
eu as te fiz diretamente,
outras foram feitas para amores
diferentes,
mas depois eu as trouxe até aqui
— para você, naturalmente.

Muita coisa bela eu sinto por você
enquanto ainda estou colado
no outro corpoamante,
suspirando de amor também por ela,
alegremente.
E sei também que muitas coisas
que hoje você diz
já foram ditas para outros
— mas isso não lhes tira
a beleza e a semente.

Sei que essas palavras de amor
se repetem entre nós
com a mesma intensidade,
e muitas das verdades
que dizemos um ao outro
são bem ditas,
simplesmente,
com a mesma liberdade.

2.1.18

capela da Mae

Capela de Nossa Senhora de Iracy

Esboço da Capela que vou construir no jardim da minha Mãe. Lembrem-se de Arquimedes, quando disse: "Deem-me uma alavanca e um ponto de apoio e eu levantarei o mundo". Só agora eu vejo que tem relação com isso. Essa obra terá um único ponto de apoio. Eu a tinha feito apenas com dois traços: o V e o círculo. Depois, acrescentei (em traços um pouco mais finos) a "Cruz" estilizada, que em verdade é o ideograma em mandarim 上 (shàng), que significa "pra cima, alto, superior, excelente". E que compõe 上帝 (shàng dì), que significa Deus. O altar ficará no círculo (que na execução será uma esfera). Ainda estou extasiado com a beleza dessa ideia. Ela me surgiu de repente, assim que me acordei, anteontem. Acho que foi o espírito do Niemeyer que SUBIU até Mim. Do Niemeyer e daquele Outro Arquiteto, que, dizem, desenhou este Universo...

1.1.18

viva

Eu vivo gritando Viva! — mas você faz de conta que não ouve. Sei que quase todos temos uma tendência neurótica em deixar as coisas como estão. Em salvar as aparências. Em manter as estruturas — mesmo que apodreçam. Parece que temos uma enorme preguiça de viver. Nem queremos agitar as circunstâncias. Propendemos a deixar tudo como está, embora vivamos fazendo promessas de mudar o mundo. Mas você radicaliza no conformismo. Você vive adiando. Você chuta o agora. Você adia o instante. Você posterga o hoje. Deixa tudo pra depois. Até parece que você pensa que ainda vai viver mais mil anos...

Mas não vai, não!

30.12.17

pico de mim mesmo

Sou livre. Por isso, nada mais é necessário porque nada é tão preciso. Não existe mais busca, não há posse no território que habito a partir de mim mesmo. Nada tenho que eu possa perder, nada existe que eu queira ganhar. Produto do meu próprio trigo, gume da minha própria faca, sou o verso da minha poesia, e a fantasia de um espírito em repouso. Meu movimento, meu ócio, meu verbo, meu Deus. Minha pátria, minha religião, meu partido, meu clã. Sou a saudade e a ausência de suspiros, a sorte que sustenta-me o corpo, sonho enlouquecido da minha alma, porta que se abre sobre si, a paisagem, a luz — e o olho. (...) Nada me falta e nada me sobra: sou a exata medida de todas as coisas, um conjunto pleno de vazio e de amor, mestre discípulo de Mim, um barco sem destino navegando um coração — num verdadeiro Himalaia de razões.
Sou portanto o Pico de mim mesmo.
Amém.

29.12.17

se faz sol

Se a palavra me fere, não sou eu que desmaio — ela que perde o sentido.
Se um verbo me agride, não revido: me esquivo.
Se quebram meu brinquedo, eu conserto.
Se me roubam o carro, compro outro.
Se furam minha bola, tenho mais.
Se acaba o vinho, tomo leite.
Se chove, danço na chuva.
Se faz sol, me bronzeio.


Para mim, tudo é motivo pra viver.
Só se um dia me faltar a Liberdade é que me sentirei morto!

28.12.17

sem pressa e sem pressoes

Sem fome, sem sono, sem culpa, sem dor. Sem pressa, sem apego, sem pressões. Sem esperas, sem cobranças, sem promessas. Sem medo e sem controle, sem ódio e sem juízo. Sem maldade — e sensível. Sentindo-me eterno no transitório. Buscando equilíbrio no instável, no incerto. Amado com delícia e liberdade, e amando com grandeza e ousadia. Passageiro numa viagem sem destino, percorrendo caminhos ainda não trilhados. Cada vez mais fascinado e encantado com os novos horizontes que se abrem. Adorando as surpresas no momento em que acontecem, e vivendo a primavera em qualquer das estações. Quebrando as barreiras, de modo irreversível. Ultrapassando limites... Encontrando a essência de cada coisa nela mesma. Compreendendo as razões também daqueles que não conseguem me compreender. Vivendo o mais profundo, o mais criativo, o mais sensual, o mais inocente e o mais sagrado período da minha vida. Sugando a doçura de todas as coisas... Vivendo as maiores e melhores paixões da minha vida, e vibrando com tudo que me toca. Sentindo-me a cada momento como se Deus me cobrisse de glórias, de flores e estrelas. Dançando nas minhas próprias e nas tuas emoções. Inundado de carinho e gratidão. Com a cabeça nas nuvens — e o coração no infinito.

Portanto, o que mais posso eu querer da vida, além de amores livres e brilhantes, crepúsculos cor de abóbora na praia que eu prefiro, óleo de amêndoas doces, um buquê de rosas brancas e vermelhas, duas ou três taças de vinho transbordantes, muita liberdade, alegria, saúde, poesia, gostosura — e tempo livre para viver tudo isso? O que mais posso eu querer da vida?!

27.12.17

troque de coração

Procure cometer livremente essas delícias todas que o teu coração te pede — mas não as justifique, pois, para quem te compreende, não é preciso; e para quem não te compreende, não adianta. Entretanto, se o teu coração anda pedindo certas coisas loucas com as quais você hoje não concorda, reaja e mude — antes que ele mesmo um dia te abandone para sempre. Porém, se o teu coração anda meio amolecido e não te pede nada; se ele está perdendo o brilho e a cor; se ele já nem te assusta mais — troque de coração, urgentemente.

A pior coisa que existe é um coração desanimado.

26.12.17

raiva

Para a solução de um problema qualquer, a raiva é sempre irracional. Eu suponho que existam boas alternativas, inclusive mais elegantes.

24.12.17

desobedeca

Se nós pensássemos e agíssemos exatamente como nossos pais; se nossos pais pensassem e agissem exatamente como nossos avós; se nossos avós fossem exatamente como os pais deles — e assim por diante — o ser humano ainda hoje certamente viveria trepado em árvores e abanando moscas com o próprio rabo...
Sem mudança não há progresso.
Mude.
Desobedeça!
Mas desobedeça criativamente, com inteligência e disciplina.

22.12.17

feliz natal

O presente de Natal que eu quero te dar
não pode ser comprado:
Não tem nas lojas, nos mercados, nas feirinhas, nos balcões.
Não é feito de plástico, não é eletrônico, nem precisa de manual.
O presente de Natal que eu quero te dar
já está dentro do teu próprio coração.

Basta que você agora o desperte para a vida:
É o amor pela liberdade absoluta.
É a admiração extrema pela Arte de Viver.
A defesa inabalável da ideia de justiça, de verdade e de prazer.
A coragem de sonhar transformações.
A busca cotidiana por tudo que é sublime,
e o doce desejo de sugar o açúcar de todas as coisas.
Feliz Natal !

19.12.17

sou rebelde

Sou rebelde.
Fui, sou — e sempre serei contra os conservadores.
Sou revolucionário em todos os sentidos.
Amo a vida, a liberdade, o amor.
Isso já vem de família. Não é genético mas é hereditário. Meu bisavô Luiz Marques já era um rebelde: trocou o futuro garantido e certo por um presente gostoso e mais incerto ainda. Um belo dia jogou fora o velho baú das verdades antigas, e tomou aquelas decisões que só os grandes homens conseguem tomar: Montou o cavalo negro do risco absoluto e partiu!

Abandonou tudo para não ter que abandonar sua própria alma — sua própria existência! — naqueles caminhos já percorridos. Ele também já sabia que o único crime que não tem perdão é desperdiçar a vida.

Não fosse por isso, eu certamente não estaria aqui, agora, todo coração, tomando essas duas taças de vinho vermelho e contando minhas histórias de amor pra você.

Sou portanto bisneto da rebeldia.

Bisneto da rebeldia, neto da emoção, filho da loucura, irmão do desejo, primo do prazer, amigo da liberdade — e amante de todos os meus amores.

E existo, por incrível que pareça:
No céu da minha boca não há fogos de artifício:
— Só estrelas.

16.12.17

bilhete no espelho

Tem dias que eu varo a noite tomando vinho com ela e Zaratustra. O computador ligado, e a tela descansando à beira-mar. Mas de madrugada, o sol quase raiando, o velho Nietzsche desabraça o belo cavalo negro da Razão — e ficamos ali, só nós dois, eu e ela. Então escrevo um bilhete lindo, amoroso, azul-clarinho, que deixo ali, pregado no espelho da sala — e também me vou...

Talvez para sempre.

11.12.17

pensem

Eu quero que vocês pensem, mas vocês parecem desperdiçar as possibilidades de reflexão séria que lhes proponho. Vocês acham que estou apenas brincando quando levanto estas questões, quase sempre de forma bem-humorada. Quando eu lhes digo para que reflitam seriamente sobre as coisas mais importantes da sua vida — que são o Amor e a Liberdade — vocês acham que estou ficando louco. Vocês riem de mim... Dizem que os meus livros não prestam e que eu nem sou deste mundo. Acham até que inventei essa história da Vó Vitalina, do Paritosh Keval e Filosofia na USP. Mas eu não desisto! E todo dia, assim que me levanto, eu me acordo pela segunda vez. Depois, tomo um café com Deus, coloco a mão no ombro Dele, e lhe digo:
— Pai, essas pessoas não sabem o que dizem nem o que fazem... Perderam a consciência, mataram a Lógica e vivem dormindo. Perdoe essas pobres criaturas...
E acorde-as, por Amor!

10.12.17

ninguem mais

Houve épocas,
quando eu era menor,
quando eu era pequeno,
em que algumas pessoas, muitas pessoas,
diziam me amar,
mas na verdade elas me tosquiavam,
atavam minhas mãos, tutelavam meus desejos,
me sufocavam...

Só aplaudiam meu bom comportamento
e minha submissão.

Diziam me amar,
mas contraditoriamente me impediam de ser livre.

Cerceavam minha naturalidade,
matavam minha ousadia,
e amputavam minha glória.

Exigiam que eu só obedecesse,
como se Deus jamais morasse em Mim.

Mas agora,
agora ninguém mais consegue
sufocar o meu grito de liberdade;
ninguém mais quebra
minhas asas de pássaro livre.

Ninguém mais.


Ou me amam de verdade
e voam comigo,
cada vez mais alto e mais fundo
— ou ficam no chão,
simplesmente.

9.12.17

honestidade pessoal

Minha honestidade pessoal sempre me leva a nunca fazer o que eu não queira. Porque não preciso fazer aquilo que não quero. Posso até perder algumas coisas por ser assim, agir assim, pensar assim. E seguramente perco mesmo muitas coisas — mas todas não significativas para mim. Perco coisas, mas não perco liberdade. Não perco aventuras, nem amor, nem gostosura, desejos, tentações. Ou seja, posso perder algumas coisas, mas ganho na dimensão da minha personalidade, da minha alma, da minha alegria. Pois não abro concessões àqueles que possam querer me prender. Não jogo minha própria vida em troco de salário, prestígio, poder, posses, coisas, tranqueiras. Não permito que me roubem esse único presente que hoje tenho. Não aceito promessas de um futuro que nem sei se vai haver... Não assumo compromissos que me sufoquem, ou que me levem à exaustão para cumpri-los. E também não crio dependências que me prendam, em hipótese alguma. Não me casei, não tenho filhos, não tenho noivas, não tenho muitas namoradas, não faço juras de amor eterno, nem tenho planos mirabolantes que possam sugar minha existência gostosa de agora.

Faço só o que me dá prazer — e apenas pelo prazer. Sem maldade. Sem dor, sem pressa, sem cansaço, sem inveja, sem ciúmes, sem mágoas, sem esforço desumano. Sem explorar quem quer que seja. E isso não é um mero jogo de palavras: eu sou assim. Sou o dono do meu tempo.

E isto — por enquanto — me basta.

6.12.17

jogo de xadrez

Quando você arrisca num determinado projeto, seja ele comercial ou amoroso, você calcula antecipadamente a probabilidade de vitória — ou joga a esmo, simplesmente?

5.12.17

pintor

Grande pintor é aquele capaz de queimar os móveis da sala só pra esquentar a modelo...

4.12.17

frases 212 228

‎211. Aceitar o inevitável é uma sábia decisão.
212. O auge de uma paixão está sempre no começo dela.
213. Não espere a graça do cisne no pescoço de um pato.
214. Em vez de salvar a relação, eu prefiro salvar o meu Amor.
215. Só tem uma coisa pior do que morrer: é viver pouco.
216. Sempre danço conforme a música. Mas, antes, escrevo a partitura.
217. Toda emoção é produto de um raciocínio.
218. Quem jura amor eterno deveria ser processado por estelionato emocional.
219. Toda musa já traz uma víbora dentro de si. É só uma questão de tempo.
220. Dispenso a compreensão daqueles que não conseguem me compreender.
221. Se, numa relação de amor, a verdade entristece — minta com alegria.
222. Prazer não sentido é prazer perdido. Irrecuperavelmente perdido.
223. Se o amor não pode ser livre, não deve ser nada.
224. Ceder uma vez só é muito mais difícil do que ceder nunca.
225. É um desperdício imperdoável ter um grande coração, e deixar nele um único amor.
226. A capacidade de questionar as próprias convicções é um atributo dos seres mais elevados.
227. Eu não vejo o cotidiano: eu vejo a eternidade.
228. A melhor realidade é aquela que nasce de um sonho.

frases 212 228

‎211. Aceitar o inevitável é uma sábia decisão.
212. O auge de uma paixão está sempre no começo dela.
213. Não espere a graça do cisne no pescoço de um pato.
214. Em vez de salvar a relação, eu prefiro salvar o meu Amor.
215. Só tem uma coisa pior do que morrer: é viver pouco.
216. Sempre danço conforme a música. Mas, antes, escrevo a partitura.
217. Toda emoção é produto de um raciocínio.
218. Quem jura amor eterno deveria ser processado por estelionato emocional.
219. Toda musa já traz uma víbora dentro de si. É só uma questão de tempo.
220. Dispenso a compreensão daqueles que não conseguem me compreender.
221. Se, numa relação de amor, a verdade entristece — minta com alegria.
222. Prazer não sentido é prazer perdido. Irrecuperavelmente perdido.
223. Se o amor não pode ser livre, não deve ser nada.
224. Ceder uma vez só é muito mais difícil do que ceder nunca.
225. É um desperdício imperdoável ter um grande coração, e deixar nele um único amor.
226. A capacidade de questionar as próprias convicções é um atributo dos seres mais elevados.
227. Eu não vejo o cotidiano: eu vejo a eternidade.
228. A melhor realidade é aquela que nasce de um sonho.

3.12.17

flores e estrelas

A escrita é o código do Verbo. A roda do vinho faz tudo girar. Depois de dois ou três copos minha voz Vitalina, e realiza sinapses verbais. Ideias escorrem pelas pontas dos meus dedos falantes. Eu começo a desenhar flores e planos nos guardanapos do boteco divino, enquanto as delícias dançam no meu próprio coração. Meu peito entusiasmado, pleno de espírito, quase explode de alegria. Trilhões de átomos já estão se reunindo, sonho a dentro e mundo afora, desde hoje, para que eu os encontre em forma de estrelas e corpos em dezembro do ano que veio. E é por isso que eu escrevo declarações de amor a Deus nesta noite açucarada. A roda da vida faz tudo girar. O álcool deve ser redondo, e o Universo — também.

30.11.17

fujo dos nervosos

Eu sempre me afasto dos nervosos. Procuro ter a delicadeza de nunca ligar-me a pessoas grosseiras, falsas, insensíveis. Fujo dos enfurecidos. Desvio-me de ciumentos radicais. Detesto autoritários. Quero distância absoluta de estressados e neuróticos. Não concedo aos ditadores sequer minha presença temporária, nem permito aos brutos que suponham ser possível invadir os meus momentos de amor — que são todos. Jamais negocio a minha própria Liberdade. Até porque, se eu não for atencioso e delicado comigo mesmo, se eu não for responsável por mim, se eu não respeitar profundamente os meus amores — estarei compactuando com esses infelizes. Aliás, se eu não me cuidasse desde pequenino, esses desgraçados de aluguel já teriam estragado a minha inocência e sufocado para sempre o meu espírito poético.

27.11.17

o poema bendito

Para expressar o que hoje ao teu lado senti
tem que ser a palavra que ainda não há.

Tem que ser o gesto amoroso
que ainda não feito,
e o poema bendito que eu nunca escrevi.

21.11.17

anseios num pano de prato

Era domingo. Era uma tarde chuvosa de domingo em que a vida virou uma encruzilhada: ou eu voava para longe dali em liberdade absoluta, ou me afundava salvando a relação. Era mais do que um dilema: era um projeto de vida fazendo água. Eu me sentia preso. Na verdade, eram grilhões recíprocos. Por isso, olhei fundo nos olhos dela e lhe disse com firmeza:
Não posso mais condicionar o meu galope ao teu trote.
Senti que ela entendeu a metáfora seca e a razão do meu cansaço. Meus olhos falsamente duros puseram distância entre os afetos. Nossas velocidades haviam se tornado muito desiguais, e isso requeria solução imediata. Ela cambaleou, e os seus dezessete anos de vida, frágeis, adolescentes, tremeram todos, um a um. Quase desabaram ali, naquele cimento frio da nossa cozinha. Ela sussurrou um agora inesquecível “eu te amo”, meio desnorteada. Aquilo foi tocante. Por dentro, amparei-a com amor, dei-lhe um abraço forte e terno, coloquei-a de novo no meu colo e cantei outra vez as canções de ninar que eu costumava cantar pra ela. Mas, por fora, virei um poste. Era preciso tornar-me gelo. Era preciso fazer teatro. Mesmo porque nosso relacionamento já estava durando mais do que um relâmpago.
Então, a coitadinha embrulhou seus pequenos anseios num pano de prato e saiu chorando.
Nunca mais nos encontramos.
Acho que foi a maior injustiça que eu jamais cometi.


Entretanto, visto agora com a distância de oito ou nove anos, esse meu gesto talvez tenha salvado as nossas duas vidas. Pois, continuássemos juntos daquela forma, teríamos certamente assassinado o nosso próprio amor imortal.

20.11.17

questione tudo

uma chance ao Inesperado e abrace forte a gostosura da Surpresa. Ame a Liberdade, o Amor e a Loucura sobre todas as coisas. Afaste-se das pessoas perigosamente normais. Sonhe só o sonho certo e abandone quem te oprime, agora mesmo. Desmonte as relações totalitárias.

Mas não creia cegamente no que eu digo.

Questione todas as convicções, inclusive as minhas. E questione também as tuas — ainda mais!

18.11.17

olimpo

Tenho vontade de reunir esses deliciosos loucos e loucas, esses santos e santas que eu amo e amei, essas deusas e musas que já conheci e outras que ainda vou conhecer, convidá-los a subir num barco, enorme — um navio, transatlântico — levá-los todos para uma ilha luminosa, deserta e grega, e viver com eles para o resto das nossas vidas. Em liberdade absoluta. Falando todas as línguas, amando de todas as formas livres, bebendo de todos os vinhos, rezando a todos os deuses... A vida será uma festa interminável! Viveremos dançando todas as danças, ouvindo todas as músicas, escrevendo belíssimas poesias de amor, plantando flores e colhendo estrelas, tomando sol, sorrindo e gargalhando. E transando com a própria Vida — todo dia, o dia todo.

17.11.17

bondade

Conheci um homem que era bom em ser ruim, e outro que era ruim em ser bom. Já eu — prefiro quem é bom em ser bom. Mas rio de quem é ruim em ser ruim.

15.11.17

viver na cama

Só há uma única chance de eu morrer na cama: É fazendo amor. Doente ou cansado — jamais!

14.11.17

fim do ano

JÁ ESTAMOS NO FIM DO ANO. E você continua aí, do mesmo jeito, andando pelas mesmas ruas, girando as mesmas chaves para abrir as mesmas portas? Sentado nas mesmas cadeiras, ao lado das mesmas mesas, fazendo sempre as mesmas coisas? Com os mesmos amigos, os mesmos amores, a mesma visão do mundo? Com os mesmos medos e preconceitos? Abraçando as mesmas pessoas, tocando os mesmos corpos, com o mesmo jeito, os mesmos toques, e o mesmo estilo? A mesma instável estabilidade? Repetindo a mesma angustiante rotina? Onde está aquele maravilhoso projeto de Vida?! Onde está a coragem de mudar, a coragem de criar? Onde aquele entusiasmo e aquela ousadia de outrora? Onde aquela gostosura tão buscada? Onde estão aqueles sonhos todos?

12.11.17

spaghetti alla Jesus

Jesus não era vegetariano, pois adorava tagliatelle a Bologna. Mas, em noites mais amorosas, preferia spagheti al sugo. Está lá no Evangelho de Paritosh Keval. Como todo mestre zen, Jesus também cozinhava. Jesus também era humano… Depois do amor a dois, Madalena ainda rolando satisfeita nos tapetes da sala, Jesus ia pra cozinha, preparar um macarrão. Barilla. Pomodori pelati. Parmesão recém-ralado. Cabernet Sauvignon. Se não tivesse, ele pegava do pote... E assim a noite continuava — cada vez mais iluminada. Cada vez mais amorosa e brilhante. Divina.

10.11.17

marasmo

Você não acha que faltam grandes emoções na tua vida? Não seria bom que acontecesse, ainda hoje, alguma coisa gloriosa, diferente, só pra sacudir esse marasmo?

8.11.17

caixa de metaforas

Quando levei meu fogo aos Céus, já sabia de antemão que haveria generosa recompensa. Zeus, em sua infinita bondade, mandou-me ontem, numa carruagem de luz, uma enorme caixa de presentes. De dentro dela sai, antes de tudo, o arquétipo da mulher inconquistável, já Vera e já dizendo:

— Prometeu, venho te ajudar no deslinde das metáforas, uma vez que é a solene forma de me representar para você. O Ballantines é o espaço provisório de abandono à lucidez impertinente. A caixinha de marfim é a minha, original, só que vazia, pois a esperança é perigosa e já voou. A borboleta azul, sabonete perfumado, espumas, Afrodite, remete ao seu post que amei dias atrás. A canequinha de prata, dançarina num pires mitológico, é a infância: desejo de salvar a criança em seu papel de menino Zeus na minha história — bem desempenhado. A peça do jogo de xadrez, é um cavalo em pedra-sabão, cheque mate (vivo e suado) de intensa concentração no galopante jogo-dança da vida. Os chocolates indianos, afetos meditativos. E Etta James, dizendo I'd rather go blind (prefiro ficar cega), cantando com força e voz cênica vinda do fundo edipiano da alma.

— E as conchinhas? — resolvo perguntar.

— As conchinhas, meu querido, as cinco conchinhas são as mais importantes nesta caixa que te entrego. Mas seu significado fica por tua conta, porque nunca entrego tudo de mão beijada. Você é perspicaz, pensa muito e sempre antes. Então, aumente as duas doses de Ballantines nesta noite semiótica, e decifre o que faltar. "O álcool nos torna lúcidos", lembre-se. Aliás, esta é a questão primordial de todas as metáforas.

Ela fala tudo isso e se vai. Então, só me resta ficar aqui, pensando, inundado de Pandora, de luar, de Vera e gostosura. E bêbado de mim.



Zeus mandou-me a Caixa por Sedex, e Vera, mentalmente, me ditou os dois parágrafos em itálico.
Tudo que aqui escrevo é baseado em fatos reais.

2.11.17

vo vitalina

Fuja das pessoas raivosas, estude bastante — e mantenha os pés quentes.

Conselhos da Vó Vitalina.

28.10.17

deslouco

Eu só me desloco no espaço se o ponto de chegada for melhor que o ponto de partida.

26.10.17

barco a deriva

Adoro viajar neste maravilhoso barco à deriva que virou minha vida. Sem bússola e sem mapas. Mas também sem medo e sem pressa — e isso faz toda a diferença. Para escrever meu destino, aprendi a ler os sinais que vêm do céu e os sinais que vêm das ondas. Quase sempre eu me guio pela experiência divina, pela Lógica, pelo vento, e pela Lei das Probabilidades. E se até hoje não me afundei, nunca mais me afundarei.

23.10.17

lambari

Por causa de um simples lambari, o pescador às vezes se molha da cabeça aos pés.

22.10.17

pes no chao

Procuro viver sempre com os pés no chão — desde que o chão esteja no Pico.

21.10.17

eu te amo

Eu te amo quando não preciso mais dizer te amo.
Eu te amo quando reconheço teu Direito de Fazer Escolhas.
Eu te amo quando respeito tua própria liberdade tanto quanto a minha.
Eu te amo quando compreendo tua vontade de às vezes ficar só.
Eu te amo quando não te sufoco com chiliques ou pressões.
Eu te amo quando ponho afeto entre as nossas distâncias.
Eu te amo quando aplaudo os teus desejos de voar.
Eu te amo quando me convenço de que o ciúme é o câncer do amor.
Eu te amo quando te ajudo a ser mais livre do que eras quando eu te conheci.
Eu te amo quando a recíproca a tudo isso também é verdadeira.