28.6.17

meia de seda

Quando eu era mais piquinininho, minha Mãe às vezes fazia Meia de Seda, aquela bebida deliciosa, com gostinho de licor de chocolate e amendoim, e que, por ser meio proibida, a gente só podia tomar um copinho. Pois, é: hoje, aqui nesta tarde ensolarada de SP, eu fiz Meia de Seda... Com licor de cacau, gin, leite condensado, creme de leite e paçoquinha (não tinha creme de amendoim). Um litro! E agora estou tomando, tudo, deliciosamente, sem pressa, sozinho, de mãos dadas com o Crepúsculo, escrevendo mais um capítulo do meu livro Teoria do Acaso — e me lembrando de minha Mãe...

Não é isto a felicidade?!

27.6.17

irresponsavel

Irresponsável... Irresponsável é aquele que não se aventura, não se joga inteiro no belo azul profundo da Vida. Irresponsável é aquele que só segue os caminhos já trilhados, e só visita os lugares que existem nos seus mapas. Irresponsável é aquele que se acomoda ou segue apenas o rebanho. Não corre mais riscos, não aspira ser mais, não deseja, não vibra — e pouco a pouco vai deixando até de sonhar. Não mais responde quando a vida o chama. Esse é o verdadeiro irresponsável: em vez de voar, chafurda no triste patético lodo do medo...

25.6.17

hoje na praia

Ninguém tropeça em sua língua ao ler o que eu escrevo. Mas no meio da frase passou por aqui, falando só, um senhor catando lata. Dei-lhe a minha e um sorriso. Não sei quanto lhe vale, se mais a lata ou meu sorriso, mas dei-lhe a minha mesmo assim, como se fosse a minha alma, minha calma, o meu amor.
São 16h09. A tarde ainda é cedo.
Hoje na praia.
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lacos livres

Você tem laços livres de amor solto, ou foram todos dados com nó cego?

24.6.17

meu testamento

Meu testamento tem apenas três palavras: ME ENTERREM PELADO. E se possível me lambuzem todo com óleo de amêndoas doces, que é para que os vermes deslizem por sobre o meu corpo, dancem feito loucos sobre mim, e depois me beijem, poeticamente, ao vivo.

Em pelo!

23.6.17

po ou potencia

Se você não transformar tuas ideias em potência, alguém vai transformá-las em pó.

21.6.17

meus olhos

Meus olhos vivem buscando uma bela e gostosa imagem para apresentá-la ao meu coração. Se meu coração for convencido da beleza e da gostosura dessa imagem, ele faz soar o sino mágico do meu desejo — imediatamente. A partir daí, já não é mais comigo... Meu coração é livre, autônomo — Senhor de Mim. E se ele se apaixonar pela imagem bela que meus olhos trazem, como poderei eu dizer "não"?

20.6.17

escrevo pra voce

Eu não escrevo para qualquer um — eu escrevo pra você. Eu escrevo para gente que pensa e brilha como você. Gente que reflete. Por isso é que meus textos são breves, puros, cortantes, refinados e cuidadosamente loucos. Desenhados com doçura, demoro a escrevê-los. Tem dias que eu demoro duas horas para escrever uma frase. Mas tem dias que eu preciso me cegar para te abrir os olhos. Porque você passa o tempo todo em busca de uma coisa inexistente. Você quer segurança, estabilidade e certezas absolutas... Parece que você não sabe que isso é impossível. E parece que você vai continuar procurando quimeras: o homem da tua vida, a mulher da tua vida, o emprego ideal definitivo, um amor eterno, um filho perfeito, um milagre exclusivo. Essas coisas não existem. Mas você, ingenuamente, continua desperdiçando energias vitais nessa luta inglória. As coisas vivem dançando. O mundo é um bailarino. Reaja. Mude. Viva. Dance.

18.6.17

minha reta vida curva

Toda minha vida é uma curva deliciosa, mas também um risco só. A gostosura da surpresa é o que me encanta de verdade. Meu coração pulsa sempre em nome da alegria. Tenho noventa mil quilômetros de vasos sanguíneos, repletos de flores, amores, estrelas. Sou movido a emoções. Eu vivo saltando profundo. Toda hora, todo primeiro, todo segundo...

17.6.17

livre ou encurralado

Nas tuas atuais relações de família, de amor e trabalho, você se sente meio livre ou meio encurralado?

16.6.17

oficio de ser louco 3

Eu me equilibro nesse ofício louco de ser solto, dançar sempre livre numa corda bamba de seda branca, saltar todas essas linhas sinuosas imprecisas e desfilar com minha alma pelos versos desta vida. Eu sempre me equilibro neste desgovernado instante doce, em que o mundo se desfaz em regras e o eterno se desfaz em risco. Neste inexato momento lúcido em que só sei que não sei nada.

15.6.17

jesus na cruz

Dizem que tem aí um arruaceiro que vive se metendo em belas encrencas. Anda sempre em companhias duvidosas e até já foi condenado pela Justiça. É contra o casamento e rejeita seriamente a hipocrisia. Os conservadores o detestam. Vive contestando a Autoridade. Dizem que ele costuma beijar uma adolescente em público, cujo nome é Madalena. Nunca trabalhou — mas festa é com ele mesmo. Dizem que é bonito, cabeludo e adora dançar... Corre até um boato que na semana passada, a pedido da própria mãe, chegou a transformar água em vinho branco. Deve ser um feiticeiro genial. Um poeta, um mago, talvez um deus! Dizem que ele trepa num caixote de madeira ali na praça, e fica falando coisas que ninguém entende, criando parábolas mirabolantes:
"Olhai os delírios do campo..."

Dia desses o viram balançando numa cruz.

14.6.17

o que sao os meus amores

Eu respeito sempre os meus amores. Assim mesmo: no plural. Tenho muitos. Sempre os tive. Mas, quando eu digo "respeitar os meus amores", às vezes refiro-me às pessoas que eu amo, outras vezes às coisas que eu sinto. Portanto, respeitar os amores tanto pode significar respeitar as vontades (desejos, critérios, preconceitos) de pessoas que eu amo (e que suponho me amem), quanto seguir livremente as paixões (desejos, critérios, loucuras) que eu trago no meu próprio peito.

Dito de outra forma: respeitar os meus amores é seguir meu coração.

13.6.17

ultrapasagem

Eu sempre ultrapasso meus heróis e sempre abandono meus amores. Mais cedo ou mais tarde, isso acaba acontecendo. Porém, essa ultrapassagem não é por mera competição, e esse abandono não é por simples maldade: ultrapasso meus heróis por uma questão de crescimento, e abandono meus amores... por Amor!

12.6.17

dia da mae

Era um dia de duplas esperanças. Era uma noite de luar azul escandaloso. Era um sábado de alelúias, era hora de metáforas e loucuras. Era uma casinha de madeira e primavera ao lado de uma roseira branca no finzinho de uma rua principal. Como toda mulher inocente, minha mãe havia sido deflorada por um delicado Inspírito Santo. Era madrugada e ela estava sozinha outra vez. Foi então que essa Mulher me deu a Luz. Era o começo de uma história de Amor.

Antes do leite, antes do açúcar, antes do arroz com feijão — eu queria mesmo era o amor que ela me dava. Este foi meu primeiro e mais querido alimento: o Amor. Como se pode notar, eu sempre me alimento de Amor e de Mãe, de risco e paixão, de glória e loucura, flores, estrelas, matemática, poesia, lógica e mulher. E liberdade — é claro.

Ela jamais quebrou as lanças da minha ousadia, e nunca pensou em cortar-me as asas de pássaro livre. Ela me apoia com entusiasmo, incentiva os meus saltos profundos e me aplaude todas as conquistas. Compreende os meus gestos, mesmo quando parados no ar. Ela me aceita como sou, inteiramente. E me faz acreditar, cada vez mais, que o verdadeiro amor é a união delicada de duas espontaneidades, a fusão poética de dois devaneios. Ou mais.

Até hoje é assim a minha Mãe. Daqui a pouco vou ligar pra ela.

8.6.17

livros que estou lendo

Livros que estou lendo. Na ordem em que estão, e na desordem em questão: Sexteto: Henry Miller. Por Amor a Freud: Diane Chauvelot. Hipnodrama e Psicodrama: Moreno. Ser Feliz faz parte do meu Show: Joyce Ann. O Espelho Mágico: Gairarsa. Biografia de Nietzsche: Daniel Halevy. Memórias Sonhos Reflexões: Jung. A Importância de Compreender: Lin Yutang. Ócio Criativo: Domenico De Masi. Grandezas e limitações do pensamento de Freud: Fromm. A Anarquia da Fantasia: Werner Fassbinder. Solidão a Mil: Edson Marques. O Manifesto do Surrealismo vai servir de inspiração para escrever o texto de amanhã. Muitos ficaram fora da foto, porque estão espalhados pela casa. Mas, cito três outros que estão aqui ao meu lado: "Picasso, o sábio e o louco", de Marie-Laure Bernadac; "Trópico de Câncer", de Henry Miller, e "As Paixões segundo Dali", de Dali/Pauwels. No banheiro está o Alan Watts, "Em meu próprio caminho" - rabiscadíssimo. Na cozinha, "O Eu Dividido", de Ronald Laing, e "Jesus: ensinamentos essenciais", de Anthony Duncan. Tem mais na sala, nos quartos, nos corredores, e no carro. /// A bonequinha nua sobre os livros é um presente de Rose, e o quadro ao fundo é uma releitura de Modigliani, feita por Joyce Ann. E, como disse Felipe Fanuel em seu comentário, eu leio "a partir da boneca, a partir da pintura, ou seja, a partir da arte".

7.6.17

doce de figo

Hoje to com vontade de comer o doce de figo que minha Mãe fazia — com amor e açúcar cristal. O figo era colhido no quintal da nossa casa, num pé, enorme, que ficava perto da mangueira... Claro que o pé de figo já morreu, mas minha Mãe ainda está lá, com toda sua deslumbrante ciência e cuidadosa paixão pelas coisas da vida.
(Semana que vem vou lá, deitar no colo dela...)

6.6.17

cume

Alguns sobem o Monte porque aspiram ao cume. Outros só querem mesmo um sopé arejado.

5.6.17

nossas igualdades

Nas questões do amor, o que nos une não são só as nossas igualdades, mas principalmente a possibilidade aberta de que um dia as nossas diferenças se dissipem. Eu me refiro a diferenças conceituais, sobre o que vem a ser a liberdade, o ciúme, a paixão e o delírio. Diferenças básicas de visão do mundo. Por isso é que decido dar-te por uns tempos minha mão: porque sei que ninguém vai além dos seus limites, e porque também creio que um dia você ainda vai preferir o amor livre a qualquer outro tipo de amor.

3.6.17

asas demoram para crescer

Sou capaz de colocar minha vida em tuas mãos se elas me tocam com amor. Por algum tempo, posso até me entregar, transferir minha alma inteira para dentro do teu corpo. Transformar-me num enorme coração apaixonado — e saltar no fundo mais profundo do teu peito, meu amor. Mas, o poder de retornar continua sendo meu. Posso até dobrar um dia minhas duas asas, e deitar-me solto no teu colo. Mas jamais as cortarei. Asas demoram muito pra crescer de novo.

2.6.17

1.6.17

esta noite

Eis agora uma garrafa de vinho pela metade, uma rosa vermelha ansiosa por mim, três ou quatro velas azuis em castiçais de bronze espalhados pela sala, uma penumbra gostosa onde sombras delicadas dançam por si mesmas, o Bolero de Ravel crescendo em todos os sentidos no meu peito apaixonado, uma brisa noturna e encantada entrando pelas portas e janelas. Mistérios no ar, desejos, também. Às vezes, silêncio: e Ravel retorna, quase perfeito.

Espero uma das outras minhas amadas.

Se ela chegar, agradeço a Deus por ter chegado, e nos amaremos da forma mais gloriosa possível. Mas se não chegar, agradeço a Deus também por ela não ter vindo, e continuo a me amar da mesma forma. Pois hoje bastam-me as flores e a música, o vinho, a gostosura, a alegria e as lembranças.

31.5.17

29.5.17

menina vestida de chita

Às vezes, não me basta uma deusa perfumada com Fleurs de Rocaille, vestido de seda, anéis de brilhante, pulseiras de ouro, pós-graduada na USP, discutindo Heidegger. Às vezes, eu quero mesmo é essa menina descalça, queimadinha de sol, vestida de chita, deitada e sorrindo no meu colo, tomando água de coco num canudinho cor de laranja, delicadamente, e olhando crepúsculos à beira do mar. Uma menina que me compreenda as loucuras, que adore esse meu inocente amor desgovernado — e que me ame por uns tempos. Mas que não me ame muito, nem me ame demais...

E que depois desapareça, deliciosa, com a mesma graça e alegria, com a mesma gostosura inesquecível com que um dia surgiu.

27.5.17

apaixone-se

Apaixone-se. Apaixone-se muito. Muito e sempre. Profundamente. Todos os dias. Apaixone-se por uma montanha de coisas gostosas, ao mesmo tempo. Por muitas e muitas pessoas interessantes e amorosas — simultaneamente. Porque assim, se um dia você perder algumas, suspender ou cancelar a paixão por qualquer delas, não te preencherá o peito aquele indefinido e estranho sentimento chamado Solidão.

25.5.17

pensar em voz alta

Quando você está ao lado do teu amor, você pode pensar em voz alta?





Sem medo de represálias?

24.5.17

pensem

Eu quero que vocês pensem, mas vocês parecem desperdiçar as possibilidades de reflexão séria que lhes proponho. Vocês acham que estou apenas brincando quando levanto estas questões, quase sempre de forma bem-humorada. Quando eu lhes digo para que reflitam seriamente sobre as coisas mais importantes da sua vida — que são o Amor e a Liberdade — vocês acham que estou ficando louco. Vocês riem de mim... Dizem que os meus livros não prestam e que eu nem sou deste mundo. Acham até que inventei essa história da Vó Vitalina, do Paritosh Keval e Filosofia na USP. Mas eu não desisto! E todo dia, assim que me levanto, eu me acordo pela segunda vez. Depois, tomo um café com Deus, coloco a mão no ombro Dele, e lhe digo:
— Pai, essas pessoas não sabem o que dizem nem o que fazem... Perderam a consciência, mataram a Lógica e vivem dormindo. Perdoe essas pobres criaturas...
E acorde-as, por Amor!

23.5.17

luta por um reino

Escolha bem as batalhas, porque às vezes, na luta por uma vila, perde-se um reino.

22.5.17

dois caminhos

A vida tem dois caminhos:


Ou você segue o caminho da Tristeza,
arma-se de medo, de ciúmes e de falsas alegrias,
arma-se de angústia, fecha os olhos, se acomoda,
e segue o rebanho dos que não sabem;
obedece a regras injustas, não reage, não questiona,
não se aprimora, não lê, não significa,
nem percebe o absurdo em que se mete.
Vende a própria natureza
por duas ou três moedas de aço,
troca a inocência pela responsabilidade apressada,
torna-se respeitável aos olhos da sociedade,
cumpre horários, nunca tem tempo,
preocupa-se com coisas banais.
Comerciante das próprias emoções — já não brinca,
vive correndo, ama com pressa,
esquece-se da lua,
e se torna uma pessoa média, mediana, medíocre,
pequena, cansada e normal...


Ou você escolhe o caminho da Ousadia,
compreende, se aprofunda, vai mais longe, realiza,
respeita o ser humano que existe em você mesmo,
resgata a própria vida e o sorriso,
rompe de vez com o passado agonizante,
procura defender a verdade, a justiça e a poesia,
acorda e assopra o fogo da alma que dormia,
ultrapassa os limites que sufocam,
cavalga o cavalo negro, cego e alado
das paixões gostosas e sublimes,
enche o peito de coragem, corações e relâmpagos,
acende de novo esse vulcão que é o teu corpo,
deixa a própria cabeça plena de agora,
de ternura e de vertigem,
e parte em busca de Aventura, de Amor e Liberdade.


É uma simples questão de escolha.



Qual é o teu caminho?

21.5.17

20.5.17

ovulo bom

Você gostaria que o teu filho nascesse de um óvulo meio torto invadido por um espermatozoide fortão, mas meio maluco e já quase vencido?

Ou seria melhor tomar um pouco mais de cuidado?

19.5.17

juras de amor

O que destrói a vida de muita gente não é fazer juras de amor. É querer cumpri-las.

18.5.17

olimpo

Tenho vontade de reunir esses deliciosos loucos e loucas, esses santos e santas que eu amo e amei, essas deusas e musas que já conheci e outras que ainda vou conhecer, convidá-los a subir num barco, enorme — um navio, transatlântico — levá-los todos para uma ilha luminosa, deserta e grega, e viver com eles para o resto das nossas vidas. Em liberdade absoluta. Falando todas as línguas, amando de todas as formas livres, bebendo de todos os vinhos, rezando a todos os deuses... A vida será uma festa interminável! Viveremos dançando todas as danças, ouvindo todas as músicas, escrevendo belíssimas poesias de amor, plantando flores e colhendo estrelas, tomando sol, sorrindo e gargalhando. E transando com a própria Vida — todo dia, o dia todo.

17.5.17

barco no vento

Ainda que o vento continue o mesmo, o barco pode muito bem mudar seu rumo.

Depende muito da qualidade da vela e da competência do barqueiro.

16.5.17

tres tipos

Eu quero que você mantenha três tipos apenas de relacionamentos:

1.
Os que te dão prazer e alegria;
2.
Os que são necessários à tua sobrevivência;
3.
Aqueles que te trazem alguma sabedoria ou estimulam a criatividade.

E que todos os demais sejam considerados dispensáveis. Extremamente dispensáveis!

Afinal, se um determinado relacionamento não dá prazer nem alegria; não é necessário à nossa sobrevivência, e não traz sabedoria nem nos estimula a criatividade — mantê-lo pra quê?!

15.5.17

presente de amor

Embrulhe a liberdade num papel brilhante, faça um pacotinho bem bonito, junte algumas flores e estrelas — e dê como presente ao teu Amor.