20.8.11

morte

Algumas considerações sobre a Morte

Eu tenho uma compreensão absoluta desse fato inexorável que é a morte biológica das pessoas que eu amo. A primeira morte marcante de que agora me lembro é da minha Vó Vitalina. Depois, há mais de vinte anos, a de meu pai. A mais recente (e certamente a mais marcante) foi a do meu irmão Paulo, na véspera do Natal de 2011. E a segunda mais recente, em 2010, a do meu amigo José Ângelo Gaiarsa. São essas as quatro mortes que poderiam me fazer chorar. E mesmo assim não fizeram. Porque, para mim, a morte biológica nada mais é que uma separação radical irremediável. Porém, como não tenho sentimento de posse sobre aquele que morre, não posso dizer que lhe sinto a falta. Não há luto na situação que me resta. E se algum dia eu chorar por alguém que morreu, será mais por lembrança daquilo de bom que algum dia fizemos, um para o outro.

Não há sentimento de perda, nem um vazio me toma de assalto. Eu compreendo sempre o acaso que nos ligou — e o acaso que nos separa. Mas detesto supor que a morte pode lhe ter sido dolorida. Nesse sentido, um dedinho queimado de alguém me esquentando café no fogão de manhã me incomoda também. Sou contra a dor, não sou contra a perda. Aliás, só a perda pode abrir caminho para o novo — e o novo é sempre fascinante.

Claro que tem uma morte que vai me afetar diretamente: a minha. Embora remotíssima, eu também a compreenderei... Mas não quero ser chorado apenas porque fui. Aliás, imagino-me saudado em meu último dia como o personagem de Charles Denner no filme O homem que amava as mulheres.
Mas digo isto porque sei que vou durar para sempre. Para sempre ou até os 120, pelo menos. Ou talvez eu morra como previ naquele meu poema que está no livro Solidão a Mil — no cume da montanha, louvado por Maria e minha mãe. Não sei. Daqui uns oitenta anos eu talvez pense um pouco mais a respeito.


Esse texto ainda está sendo escrito. De vez em quando eu dou um mexida nele. Mas o que me deixa bastantte contente é o fato de que as pessoas que eu amo raramente morrem.


Só não quero que o texto acima passe a errada impressão de que sou frio. Não se trata disso. Sou emotivo no mais alto grau. Choro ao ver uma cena de amor, choro ao me lembrar de como sorri minha Mãe ao me encontrar, choro quando penso nos bons corações que já quebrei, choro ao me lembrar do Velhinho do Ibiti. Choro por Joyce Ann e seus gatinhos que sumiram terça-feira. Choro... Depois eu conto sobre mais coisas pelas quais eu choro.

3 comentários:

VIDA E LIBERDADE disse...

Continuo afirmando que a morte é ridícula, SIM!!!
Ela nos faz pedra, fria,terra fedorenta... A morte não está nos meus planos...Nunca estará... Se um dia eu morrer, quero que Deus me pegue no colo e voe comigo, para o azul do céu e que não me coloquem debaixo da terra...Quero respirar a atmosfera pura dos deuses...Quero sorrir ao ver minha mãe, meus familiares... Tudo será uma festa....
MAS AGORA ELA É PARA MIM, RIDÍCULA...ATÉ QUE SE PROVE O CONTRÁRIO....

Beijos poeta imortal!!!!

Lisa

sonia kahawach disse...

Sempre comentei que a morte é a única certeza da vida e então não havia porque temê-la.Mas, quando a gente nota que tem mais passado que futuro, a visão muda um pouco de figura e se passa a ter por ela mais respeito pra não dizer medo. Dos amados que se foram, fica uma sensação estranha do "nunca mais".

Edson Marques disse...

Houve até uma falsa notícia da minha suposta morte AQUI.