11.1.13

filhos jamais

Não tenho filhos — e jamais os terei. Decisão tomada quando eu tinha apenas doze anos. Foi com essa idade que eu cheguei à conclusão que jamais seria um tradicional "chefe de família". Acabei concluindo que ser um bom pai e amante da liberdade — ao mesmo tempo — são coisas mutuamente excludentes. Hoje penso que ter filho é um risco para mim desnecessário. Não quero corrê-lo. Entretanto, se por desventura mudar de ideia ou se por acidente tiver um, sei que serei um bom pai. Um ótimo pai! Porém, caso venha a tê-lo, vou preferir um filho criativo a um filho bem-comportado. Porque não dá pra ser as duas coisas ao mesmo tempo...
Continua aqui.

Este texto sobre não ter filhos gerou muita polêmica, algumas por e-mail (16) e até duas bem maliciosas... Mas, compreendo as razões de todas essas manifestações. Por isso, vou aproveitar para ampliar o meu raciocínio sobre o tema, abrindo inclusive a possibilidade de eu vir a ter um filho, assim que encontrar a Mãe que suponho ideal. Essa mulher, é claro, também deverá me achar ideal... rs! E tem que aceitar, indiscutivelmente, o nome da criança, que já escolhi. Será o primeiro nome com vírgula a ser registrado nos cartórios do Brasil. O nome será: Eu, Leonardo da Vinci Marques dos Espíritos Santos. Mais o sobrenome da Mãe. Esse filho é a minha ideia 301. Veja na caixa de comentários.

7 comentários:

Edson Marques disse...

Nada contra quem decide tê-los, desde que de forma planejada — e que NUNCA os abandone. E que os trate com profundo amor e total dedicação. E que também lhes faça aprender a tabuada antes dos dez anos de idade...

http://mude.blogspot.com.br/2013/01/filhos-jamais.html

Edson Marques disse...

Faltou dizer: que as crianças sejam educadas em no mínimo duas línguas diferentes, simultaneamente. E que as babás sejam cultas. E que aprendam música antes dos cinco anos de idade. E que aprendam xadrez o mais cedo possível. E karatê ou Kung Fu desde pequeninos. Que tenham aulas de pintura, e que aprendam a gostar de poesia e teatro. E que amem as formigas e as baratas, tanto quanto os passarinhos e os grilos...

Etc.

sonia k. disse...

Realmente se vê que não teve filhos e, na minha muito respeitosa opinião, dentro dos padrões que coloca, não deve.
Criativo, educado, bonzinho, obediente.... muitas qualidades pra uma criança só e normal (?).
Babás bilingues, lutas orientais, idiomas diversos, cultura geral desde a tenra infância, jogar xadrez....
Exigência de condição excepcional financeira.
E, cá entre nós, essa criança ia ser muito chatinha, pois perfeição demais também enjoa.
Se conseguir admirar um filho que tenha pelo menos as últimas qualidades que comentou (goste de pintar, curta poesia e teatro e, acima de tudo, que contenha o amor pelos pássaros, grilos e animaizinhos no geral), já seria um grande filho ou uma ótima pessoa! Mas não há garantias de que filhos venham assim, tão desenhadinhos e projetados.
"Filhos....pra que filhos... mas se não tê-los como sabê-los", não é?
Mesmo com todas as exigências e a resolução de nunca os ter, acho que seria um ótimo pai. Isto por tudo que conheço (ou desconheço) de você.

Uma noite povoada de anjos pra você, doce ex-futuro pai rs

Edson Marques disse...

Sonia,
Bom dia!
Gosto dos teus comentários!
Porém, neste acima, ao referir-se ao filho que proponho, entre as qualidades você colocou a "obediência". Eu jamais diria isso... rs! Detesto a possibilidade de ter um filho obediente. Prefiro (e só aceitaria) o questionador. Talvez você não tenha lido o texto todo, mas, na última linha eu digo que "prefiro o criativo ao bem-comportado".

Quanto à possível "chatice" de crianças educadas em duas ou três línguas diferentes, e que aprendam xadrez, música e judô, e pintura e tabuada, e saibam plantar flores e cuidar de animaizinhos, e teatro e futebol, etc, -- tudo isso antes dos cinco ou seis anos de idade -- você está redondamente enganada: elas não ficam chatinhas, não... Sei disso porque conheço muitas assim. Muitas. E mostro onde: Colégio Miguel de Cervantes, zona sul de SP. Explico: quando ganhei o Prêmio Cervantes / Ibéria, fui recebê-lo nesse Colégio, numa maravilhosa cerimônia (A Dora não foi comigo, e já disse por quê... rs!). Lá (eu vi, eu vejo sempre, pois tenho amigos cujos filhos estudam lá.), todas as crianças são assim. Quase todas! E são alegres, saltitantes, inteligentíssimas. Ainda não vi nenhuma chata... rs!

Como se pode notar, a educação pode fazer milagres... E, pensando bem, eu acho que as crianças...

Não. Depois eu digo. Agora vou fazer um café, não sem antes aguar meus pezinhos de lírio e colocar bananas para os azulões.

Flores!

Edson Marques disse...

Ainda nem fui fazer o café. Fiquei meditando na cama, na horizontal mais deliciosa que este hoje tem. Voltei pra dizer que já tenho alguns critérios para escolher a Mãe do Meu Filho... rs! São muitas as qualidades que suponho indispensáveis, mas, a primeira delas (além de aceitar o parto natural) é saber a diferença entre vitaminas hidrossolúveis e lipossolúveis, e a função específica de todas no corpo de uma criança. A segunda é não ser monoglota. O resto é consequência... rs!

Agora vou ao café.

sonia k. disse...

Bom dia!
Tenho de aceitar humildemente tudo o que colocou, mesmo divergindo em alguns aspectos.
Não conheço crianças como as que descreveu. Percebo que as crianças de uma década para cá são muito inteligentes, mais interessadas em tudo, geralmente hiper ativas, sempre ligadas em tudo e aprendem com maior facilidade. Eu falei em crianças chatinhas por serem muito perfeitinhas, mas isto é opinião minha realmente. E não por isto deixam de ser alegres, saltitantes. Até demais para meu gosto. É gostoso curtir crianças.... dos amigos, dos parentes, vendo-os no colégio... Criar é uma responsabilidade e contar com surpresas constantes. E filho é algo que dura o resto da vida, amigo. Concordo plenamente com você que, por decisão de anos, não quer ter filhos.
Salvo exceções, tê-los é um risco sempre. Tive duas e um filho assim considerado embora sendo neto, que criei desde a barriga (minha menor resolveu começar cedo, aos 15 anos rs e criei os dois).
Muito grande foi minha luta pra levar em frente a empreitada que afinal tinha assumido. E não sou de sublimar essas questões.
Pode ser desagradável eu dizer, mas se voltasse no tempo tem duas coisas que, com certeza absoluta, não faria: casar e ter filhos.
Dois experimentos que, mesmo tarde demais, entendi que não podiam fazer parte do que sou, do que penso, do que sinto. Lamento pelas partes e por mim. E não veja nenhuma amargura no que coloco. Um dia, quem sabe, falaremos dessas coisas.

Tenha um bom dia junto aos seus pássaros e flores.

Edson Marques disse...

São 14h23min e ainda estou tomando café. Acho melhor tomar um banho demorado, e sair para comer uma feijoada, com muito torresmo...

É a vida!