1.6.12

cartilha

Meu livro é uma cartilha, que ajuda muito o jovem louco e livre a ter sucesso. Sucesso como louco livre, é bom dizer. Porque eu o ajudo a libertar-se ainda mais. Faço com que ame a liberdade acima de todas as coisas. Se for corajoso, salta comigo — e dançamos juntos no espaço infinito que criamos ao saltar. E se não for tão corajoso, se já estiver abraçado com firmeza ao poste enorme das crenças insensatas, pelo menos fica sabendo que na hora certa não se salta: tem que ser na hora incerta. E se já não for tão jovem assim, acaba sabendo quanto tempo de vida já perdeu — e que ainda pode saltar antes que morra. O exemplo é meu bisavô, que só saltou aos 62 anos de idade. Mas se o leitor é do tipo que não salta de jeito nenhum, que prefere até morrer antes mesmo de morrer, tudo bem: dou-lhe uma dose mortal de compreensão. Como se vê, meu livro é uma cartilha... Mas só serve pra quem já sabe ler.

Por falar em meu bisavô, ele gastou janeiro fazendo planos, um mês inteiro ouvindo vozes, que nem Moisés. E aquela menina passando ali, na frente dele, feito convite, descalça, vestidinho de chita, cabelos soltos negros, meio ressabiada... Os peitinhos despontando. Então o fazendeiro abandonou tudo: as propriedades e as impropriedades que a elas se ligam sempre, a esposa controladora, os filhos perplexos, as fazendas, as noras, os netinhos, os novilhos e as velhas emoções. (...) /// Felizmente, nunca é tarde demais para tornar-se um rebelde.

6 comentários:

Edson Marques disse...

Meu livro é uma cartilha, que ajuda muito o jovem louco e livre a ter sucesso. Eu ajudo-o a desgovernar-se ainda mais. Faço com que ame a liberdade acima de todas as coisas. Se for corajoso, salta comigo — e dançamos juntos no espaço infinito que criamos ao saltar. E se não for tão corajoso, se já estiver abraçado com firmeza ao poste enorme das crenças insensatas, pelo menos fica sabendo que na hora certa não se salta: tem que ser na hora incerta. E se já não for tão jovem assim, acaba sabendo quanto tempo de vida já perdeu — e que ainda pode saltar antes que morra. Mas se for do tipo que não salta de jeito nenhum, que prefere até morrer antes mesmo de morrer, tudo bem: dou-lhe uma dose mortal de compreensão. Como se vê, meu livro é uma cartilha. Mas só serve pra quem já sabe ler.

Este original foi escrito dia 27.05.2012, às 06h12. Guardo este original porque posso (talvez mais tarde) mudar o texto publicado hoje no blog.

http://mude.blogspot.com.br/2012/06/cartilha.html

É a vida.

Edson Marques disse...

Meu inesquecível bisavô:

Gastou janeiro fazendo planos, um mês inteiro ouvindo vozes, que nem Moisés. E aquela menina passando ali, na frente dele, feito convite, descalça, vestidinho de chita, cabelos soltos, meio ressabiada... Os peitinhos despontando. Então o fazendeiro abandonou tudo: as propriedades e as impropriedades que a elas se ligam, a esposa controladora, os filhos perplexos, as fazendas, as noras, os netinhos, os novilhos e as velhas emoções.

(...)

Continua.

A vida sempre continua!

Gabriel disse...

Poeta...
Seu livro é uma cartilha, até para quem não aprendeu ainda o B A =BA...
É uma cartilha da vida... dos fatos acontecidos, das histórias verídicas e/ou sonhadas...
Tudo o que nela se lê...é lição...
Lição de vida, para a vida ...e para impulsionar o outro a saltar profundo... a libertar-se, a arrancar as algemas que o prendem...a ver a beleza num lírio, a ouvir os pássaros e de madruga inspirar-se na brisa suave que penetra pela janela... é ver o sol nascer e sentir-se feliz com a dança das borboletas...
Seus livros poeta???
São alimento para nossas almas!

Beijos e linda tarde!

Marilis

Gabriel disse...

Não entendi, o por que meu comentário foi com o nome do seu leitor Gabriel....rs...não entendi!

Edson Marques disse...

Marilis, talvez seja o anjo Gabriel falando em teu nome.
Ou você em nome dele... rs!
Flores!

Edson Marques disse...

Obrigado, Marilis, por tudo isso que você diz a meu respeito.
Você é um amor!

Mesmo quando se chama "Gabriel"... rs!
Flores!