26.10.11

estrelas a bombordo

Agora eu caminho com estrelas a bombordo e com flores no infinito. Acabo me esquecendo de umas coisas, e me lembrando de outras — cheio de tantas, vazio de muitas. Navego respirando como se o mar revolto inflasse de ondas azuis meu espírito em repouso. Tudo agora é muito claro para mim, mas não esclarecido, pois o dia é mais do que uma eterna madrugada. Tudo aqui está nublado por uma doce névoa de gostosuras libertárias, incertezas tão profundas. Tudo quente — e tudo frio ao mesmo tempo. Deus me cutuca, e meu espírito se torna então atômico, inspirado, e dança no meu corpo bailarino. Meu parceiro luminoso, brilhante, colorido — me seduz como paixão e me conduz como destino. Ou me seduz como destino e me conduz como se acaso. Se vou para o Norte ou se vou para o Sul — nunca mais saberei. Porque não é preciso mais saber, nos dois sentidos de saber e de preciso. Nada agora é mais urgente do que o próprio agora. Pois rasguei os meus mapas, quebrei meu relógio e joguei minha bússola... Mas, apesar de tudo isso — ou devido mesmo a isso tudo — acabei de me encontrar. E abracei meu coração.


O texto acima já é resultado de um outro, publicado no meu livro Solidão a Mil, primeira edição. Gosto de reescrever alguns dos meus textos. Este, especialmente. Parece, do meu ponto de vista, que sempre posso torná-lo melhor. Tanto que acabei de reescrevê-lo, nesta madrugada de 07.06.2012. Está agora publicado aqui mesmo no blog Mude.

2 comentários:

Edson Marques disse...

Reescrevi esse texto hoje, tomando café ao lado dos pezinhos de lírio.

O original era assim:

Agora eu caminho com estrelas a bombordo e flores no infinito. Me esquecendo de umas coisas, me lembrando de outras — cheio de tantas e vazio de muitas. Navego respirando como se esse mar azul inflasse meus pulmões enlouquecidos. Tudo agora é claro, mas não esclarecido, pois o dia é mais do que uma eterna madrugada. Tudo nublado por uma doce névoa de gostosuras, liberdades, incertezas. Tudo quente — e tudo frio ao mesmo tempo. Meu espírito inspirado dança no meu próprio corpo. Meu coração, luminoso, brilhante, colorido — me seduz e me conduz. Se vou para o Norte ou para o Sul — acho que nunca mais vou saber. Porque não é preciso saber, nos dois sentidos de saber e de preciso. Nada agora é mais preciso do que agora é necessário. Pois rasguei os meus mapas, quebrei meu relógio e perdi minha bússola... Mas acabo de encontrar-me: abracei meu coração.

Edson Marques disse...

E hoje eu de novo reescrevi.
Agora completamente...

Está em:http://mude.blogspot.com.br/2012/06/estrelas-bombordo.html

Tomando café, ouvindo alguns bem-te-vis cantando, ao lado dos pezinhos de lírio. E pensando no Zé do Egito... rs!

É a vida.